Cobertura 15º álbum estúdio do Maiden – parte 1 – seja bem-vindo!

•Monday, November 9th, 2009 • 4 Comments

Iron Maiden

Hell-o galera,

como sabemos, o Maiden vem mantendo, ao longo do tempo, uma rotina de lançamento de álbuns de estúdio / world tours / lançamento CD/DVD/blu-ray ao-vivo / time-off e o ciclo se repete.

Pois bem: estamos no final do ano de 2009 (o papo sempre começa em novembro) e, segundo essa lógica, já está na hora da banda se reunir (cada um mora em uma parte do mundo) e começar a gravar o que será o 15º álbum de estúdio.

Minha ideia é tentar acompanhar e trazer aqui, no Minuto HM, o máximo que eu puder de fontes, rumores, confirmações, enfim, informações até a banda finalmente por no mercado o sucessor do A Matter Of Life And Death.

Então vamos lá: Janick Gers, durante o Classic Rock Roll Of Honour Awards 2009, no Park Lane Hotel (Londres), que ocorreu no último dia 2, já andou falando do assunto para a BBC. Segundo o Metal Express Radio, a banda realmente já começou a escrever as futuras músicas, como de praxe: junta daqui, pega dali, abrem-se os baús de riffs e solos, ideias e assim por diante.

A banda deve ser reunir em Paris, França, por 3 semanas para já começarem a dar uma forma ao novo da eterna Donzela de Ferro.

[ ] ‘ s,

Eduardo.

Kiss discografia 23a parte – Álbum: Smashes, Trashes & Hits

•Sunday, November 8th, 2009 • 5 Comments

Galera,

Neste capítulo, mostraremos a segunda semi-coletânea lançada nos anos 80:

ÁLBUM: SMASHES, TRASHES & HITS.  

Smashes Vinil Capa Web

A capa do vinil brasileiro da época do lançamento original do álbum

  • Kiss: Paul Stanley, Gene Simmons, Eric Carr e Bruce Kulick
  • Lançamento: 16/11/88
  • Produtores: Ron Nevison
  • Primeiro Single: Let´t Put The X In Sex – em 11/88
  • Segundo Single: (You Make Me) Rock Hard – em 01//89
  • RIAA Gold Certification em 01/02/1989
  • RIAA Platinum Certification em 01/02/1989
  • RIAA 2x Platinum Certification em 26/02/1996 
Smashes Cd CapaContracapa Web

A capa da edição do cd importado.

Versão Americana.

1 – Let´s Put The X In Sex  – 3:48 9 – Calling Dr. Love (Remix) – 3:38
2 – (You Make Me) Rock Hard  – 3:26 10 – Strutter (Remix) – 3:18
3 – Love Gun (Remix) – 3:31 11 – Beth (Eric Carr) – 4:05
4 – Detroit Rock City (Remix) – 2:44 12 – Tears Are Falling – 3:54
5 – I Love It Loud (Remix) – 3:45 13 – I Was Made For Lovin´ You – 4:29
6 – Deuce (Remix) – 3:20 14 – Rock And Roll All Nite (Remix) – 2:56
7 – Lick It Up – 3:53 15  – Shout It Out Loud (Remix) – 3:07
8 – Heaven´s On Fire – 3:19  

 Versão Inglesa.

1 – Let´s Put The X In Sex  – 3:48 8 – Heaven´s On Fire – 3:19
2 – Crazy, Crazy Nights – 3:45 10 – Strutter (Remix) – 3:18
3 – (You Make Me) Rock Hard  – 3:26 11 – Beth (Eric Carr) – 4:05
4 – Love Gun (Remix) – 3:31 12 – Tears Are Falling – 3:54
5 – Detroit Rock City (Remix) – 2:44 13 – I Was Made For Lovin´ You – 4:29
6 – I Love It Loud (Remix) – 3:45 14 – Rock And Roll All Nite (Remix) – 2:56
7 – Reason To Live – 3:59 15  – Shout It Out Loud (Remix) – 3:07
8 – Lick It Up – 3:53  

 Depois do final da turnê americana e japonesa de CRAZY NIGHTS, a gravadora Polygram sugere um lançamento de uma coletânea calcada nos sets lists dos shows da recente turnê, com remixagens em algumas faixas. Antes, em maio/88, a gravadora japonesa Polystar (afiliada da Polygram) lançaria a coletânea CHIKARA, que já contém algumas músicas remixadas e tem seu nome baseado no símbolo japonês que aparece na contracapa de CRAZY NIGHTS e também tem destaque na bateria de Eric Carr na recém finalizada turnê. 

ChiKara Cd CapaContraCapa

A rara coletânea Chikara lançada apenas no mercado japonês em formato Cd.

A coletânea CHIKARA contém uma versão diferenciada de I was made for lovin´you que na nova roupagem tem sua duração estendida para quase oito minutos, e incursões extras de guitarra (incluindo um solo adicional) e teclado.   A lista de músicas da coletânea japonesa é Rock And Roll All Nite / Detroit Rock City / Love Gun / Creatures Of The Night (Remix) / I Love It Loud (Remix) / War Machine (Remix) / Lick It Up / All Hell’s Breakin’ Loose / Heaven’s On Fire / Thrills In The Night / Who Wants To Be Lonely / Uh! All Night / Tears Are Falling e esta coletânea é lançada oficialmente apenas no Japão e em formato compact disc.

A contracapa do vinil brasileiro original da época que segue o padrão inglês

A Contracapa do vinil brasileiro de Smashes, Trashes & Hits, que segue o padrão de ordem e músicas do padrão inglês.

Para o novo álbum – SMASHES, TRASHES & HITS, o lançamento seria mundial, apesar de planejado e focado para o mercado americano.  Paul Stanley declara que desde o lançamento de CREATURES OF THE NIGHT, o Kiss atraiu uma nova faixa de fãs e que embora ache interessante o lançamento de faixas da época dos anos 70, não deseja ficar preso ao passado e deseja incluir novas faixas no álbum.  Para tal, em julho de 1988 a banda utiliza o estúdio Right Track Studios em Nova Iorque para a gravação de duas músicas.  Paul Stanley finalizaria os vocais de (You Make Me) Rock Hard durante a turnê européia, em agosto de 1988, em Londres, no Townhouse Studios.  As duas inéditas têm a co autoria de Desmond Child, além de Diane Warren em (You Make Me) Rock Hard. Nem Gene, nem Paul ficam satisfeitos com as duas inéditas. Em conseqüência, Simmons atribui uma nota 3/5 para um fã novo e 1 ou 2/5 para um fã antigo e Stanley considera as músicas novas muito chatas, mas atribui nota máxima ao álbum por causa dos clássicos. Para estimular o atrativo da semi-coletânea, há também a regravação de Beth com Eric Carr nos vocais.   Ansioso para cantar em um álbum do Kiss, Eric aceita qualquer sugestão para fazê-lo e não há dificuldades em seu convencimento por Gene Simmons e Paul Stanley.  O curioso é notar que Eric refaz os vocais de Beth no mesmo estúdio (Record Plant), sentado no mesmo banco e com a mesma orquestração utilizada por Peter Criss em 1976.  Eric, porém nunca faria a interpretação da música em qualquer show da banda.  Há duas versões do álbum: A versão americana que se diferencia da inglesa pela substituição de Deuce e Calling Dr. Love, que perderam o lugar para Crazy, Crazy Nights e Reason to Live.

Smashes Cd Contracapa Web

O cd importado em relançamento segue o padrão americano.

Em outubro de 1988, Let´s Put The X In Sex é lançada como single e atinge o pífio 97º lugar nas paradas americanas.  O single é lançado em formato de vinil compacto (com Calling Dr. Love no lado B) e também no formato mini cd, onde há outros dois remixes da musica: X-cessive mix (7:33) e  Hot Urban Mix (3:58).  Há a produção de vídeos para as duas inéditas do álbum e em dezembro de 1988 seria lançado o segundo single (You Make Me) Rock Hard que falha completamente e nem entra entre as 100 da parada americana.  Nota-se claramente que houve uma edição das novas músicas incluídas no álbum, pois comparando com os vídeos lançados, a duração é menor, devido à redução nas suas introduções. Esta diferença acabou posteriormente com a retirada das introduções também nos vídeo-clips.  Quando é lançado o álbum inicia num fraco 79º lugar nas paradas, mas chega a atingir 21º lugar em janeiro de 1989, se mantendo entre os primeiros 40 lugares por mais de 11 semanas. Depois de atingir RIAA Platinum Certification em 01/02/1989, o álbum chegaria a atingir o status de dupla platina apenas em 1996, sendo oficialmente o único da fase desmascarada a atingir este status. 

Smashes Cd Capa e Cd Web

O cd importado não é da serie remasters.

Após o lançamento do álbum, os planos para uma turnê de SMASHES, TRASHES & HITS são postos por água abaixo, em grande parte devido ao envolvimento extra-kiss de Gene Simmons, notadamente focando seus esforços na criação de sua gravadora.  Em contrapartida e também em resposta a falta de envolvimento de Gene, Paul resolve sair em turnê solo, muito bem acompanhado de Bob Kulick (Guitarra), Eric Singer (Bateria), Dennis St. James (Baixo) e o Gary Corbett (Teclados – também na turnê de CRAZY NIGHTS – conforme post anterior).  A decisão de Paul não chamar Eric Carr para sua turnê se dá pelo fato de que ele não queria montar uma banda com integrantes do Kiss.  Isto além de magoar Eric Carr, faz-se pensar que Stanley sairia do Kiss, fato este que nunca aconteceu. Este é o primeiro contato de Eric Singer com um integrante do KISS, e esta turnê seria decisiva para sua entrada na banda, a ser contada num próximo post.  A turnê de Stanley se inicia em 15/02/1988 em Newark, Nova Jersey e se concluiria, após 25 shows em 03/04/1988.  Entre as músicas tocadas destaca-se Hide Your Heart, descartada por Ron Nevison do álbum CRAZY NIGHTS e que seria incluída no álbum seguinte do Kiss, Goodbye, Wouldn’t You Like To Know Me e Tonight You Belong To Me do seu álbum solo de 1978, músicas que Paul Stanley nunca teve a oportunidade de tocar ao vivo antes, e a recente Lets Put The X In Sex, além da inclusão da cover Communication Breakdown (Led Zeppelin). A pequena turnê é revigorante para Paul Stanley (tocando numa guitarra de dimensões reduzidas e sem a “mão” do instrumento, da marca Steinberger, que ele já vinha usando desde a perna européia da turnê de CRAZY NIGHTS) e o traz em excelente forma ao lado de músicos muito competentes.  Planos para uma turnê no Japão são rapidamente descartados, e logo a seguir Paul Stanley retornaria ao estúdio para um novo álbum do Kiss, que será tema do próximo post.

Smashes Vinil Web

O vinil brasileiro numa edição simples, sem fotos. posters ou encartes.

N.R.: Um lançamento de uma coletânea para nós, autores do post não é recebido de forma muito agradável, afinal sempre desejamos novo material.  Nesta época (1988/89) já possuíamos toda a coleção dos álbuns do Kiss e não havia muitos atrativos em SMASHES, TRASHES & HITS. Para os fãs novos, que não possuíam material antigo, pode até ter sido um lançamento interessante. Os antigos clássicos remixados trazem pouca diferença em relação às versões originais, semelhante ao que foi feito no DOUBLE PLATINUM: Love Gun tem uma mudança mais clara após o solo, onde praticamente só se ouve o próprio solo e backings vocals. Novamente Detroit Rock City tem a introdução cortada, e uma pequena inclusão de uma frase quase ao final da música. I Love it Loud é talvez a mais decepcionante, pois a bateria perdeu praticamente todo o peso da gravação original. Há um pequeno efeito nas guitarras que dão a introdução de Deuce e um final aumentado em Shout it out Loud. As duas novas músicas se enquadram no estilo da época, e em particular contém um pouco menos de teclados, que foram tanto realçados em CRAZY NIGHTS.  Não são músicas ruins, mas não acrescentam muito a discografia da banda. As versões mix de Let’s Put The X in Sex têm um andamento eletrônico, onde as guitarras praticamente desaparecem, o que as transforma na dupla de lançamentos mais lamentáveis feito em toda a discografia da banda, estando anos-luz longe da versão original, que perto dessas seria como um petardo. Os clips (que não estão presentes na íntegra em qualquer video oficial da banda – Let’s Put the X in Sex está presente parcialmente no homevídeo Xtreme Close Up) também não nos agradam, quase comparáveis aos do ASYLUM, em especial o de (You Make Me) Rock Hard, apesar da música ser um pouco melhor. Beth, regravada por Eric Carr era talvez o maior atrativo da semi-coletânea, apesar da polêmica em torno de Peter Criss e dos fãs mais originais – que sentiam uma traição da banda a um membro original.  Eric Carr canta bem a musica, de forma mais suave, em contraposição a voz mais rouca de Peter Criss, mas também não altera significativamente a versão original – valendo apenas como o primeiro registro em estúdio do baterista que já há oito anos fazia parte da banda. Para nós a banda estava devendo um grande lançamento, talvez desde ANIMALIZE e nossa expectativa de novas inéditas com maior qualidade fora novamente frustrada.  Restava esperar que um novo álbum para o ano seguinte resolvesse esta questão, mas isso será assunto para a próxima semana, aguardem.

 Flávio Remote e Alexandre B-Side.

Resultado Poll # 9: Sonic Boom: a nova obra-prima do Kiss

•Thursday, November 5th, 2009 • Leave a Comment
Galera,

estamos fechando mais uma pesquisa do Minuto HM. A pesquisa # 9 perguntou: “Sonic Boom – já ouviu / formou opinião? O que você achou?”

Eis o que achamos:

Sonic Boom: eleito obra-prima do Kiss

Sonic Boom: eleito obra-prima do Kiss

A maioria dos votos foi para o intervalo que considera o disco uma “obra-prima”. Ou seja, a banda que nasceu em 1973 / 1974, em pleno 2009, nos presenteia com um petardo (e que bom, pois sabemos a dificuldade que está em recebermos coisas assim ultimamente).

Enquanto nossos amigos BSide e Remote não chegam no disco, gostaria apenas de ressaltar que o linguarudo e Stanley conseguiram novamente. Criaram um disco fantástico, como a pesquisa mostrou, com um single (e música de abertura) “pegajoso(a)” – Modern Day Delilah – e usaram de forma inteligente a enorme rede do WalMart nos EUA para vendas do disco. Nos dias atuais, a bola foi muito dentro!

Long live, Kiss.

Aproveitando: como disse aqui, já coloquei a “Poll # 10: Bon Scott ou Brian Johnson – qual sua preferência no AC/DC?” no ar, no mesmo lugar de sempre. E ela é do AC/DC, já para entrarmos no clima do show que se aproxima e deve ficar no ar até o final do mês / depois do show de São Paulo. Aproveitem e votem!

[ ] ‘ s,

Eduardo.

Apple Corps lançando catálogo dos Beatles em pendrive [edição limitada]

•Wednesday, November 4th, 2009 • 4 Comments

Galera,

primeiramente, gostaria de informar a todos que este é o post de número 200 do Minuto HM, além dos 695 comentários já feitos (média de 3,5 comentários por post) após mais de 27.000 acessos ao blog (e pensar que achamos que não passaríamos dos 10.000 hits este ano). Muito legal para todos nós!

Agora vamos ao business:

Enquanto o imblóglio Apple Inc. x Apple Corps não se resolve (hoje temos a maioria dos artistas com sua músicas disponíveis para compra na loja virtual iTunes, da Apple Inc.), temos um interessante lançamento da EMI para os fãs obterem acesso oficialmente às músicas dos Beatles:

Beatles em pendrive

Edição limitada do catálogo dos Beatles em pendrive "oficial"

O catálogo dos Beatles virá em um pendrive de 16GB, com os 14 álbuns da banda “oficiais” em formato FLAC 44.1Khz 24-bit (lossless e estéreo), bem como versões em MP3s de 320Kbps, com letras de todas as músicas, capinhas de álbuns, fotos e mini-documentários em filmes para cada produção.

As vendas serão iniciadas no dia 7 de dezembro/2009 (no Reino Unido; Estados Unidos será um dia depois), por um preço girando na casa dos US$ 280,00. Apenas 30 mil unidades deles serão produzidas, o que dá um ar de item raro para os eternos fãs da banda.

A pré-venda já começou no site oficial e pode ser acessada aqui (Reino Unido, Estados Unidos e Japão).

[ ] ‘ s,

Eduardo.

Master Of (Lego) Puppets

•Tuesday, November 3rd, 2009 • Leave a Comment

Apenas para começarmos bem a semana com o clássico de março/1986 do MetallicA… em uma brincadeira com Lego.

[ ] ’s,

Eduardo.

Kiss discografia 22a parte – Álbum: Crazy Nights

•Monday, November 2nd, 2009 • 18 Comments

Galera,

Neste capítulo, mostraremos o KISS tentando uma nova estratégia para incrementar as vendagens de seus álbuns:

O vinil brasileiro de Crazy Nights - edição da época

O vinil brasileiro de Crazy Nights - a edição brasileira da época.

ÁLBUM: CRAZY NIGHTS

  • Kiss: Paul Stanley, Gene Simmons, Eric Carr e Bruce Kulick
  • Lançamento: 18/09/87
  • Produtores: Ron Nevison
  • Primeiro Single: Crazy Crazy Nights – em 08/87
  • Segundo Single: Reason to live – em 12//87
  • Terceiro Single: Turn on the Night – em 02/88
  • RIAA GOLD Certification em 17/11/87
  • RIAA PLATINUM Certification em 18/02/88
O Cd remaster importado de Crazy Nights mantém o padrão da série, com resenha em inglês.

O Cd remaster importado mantém o padrão da série com a resenha em inglês.

1 –Crazy, Crazy Nights – 3:45 7 –When Your Walls Come Down–3:25
2 – I’ll Fight Hell to Hold you – 4:10 8 – Reason to live – 3:59
3 – Bang Bang You – 3:53 9 – Good Girl Gone Bad – 4:35
4 – No,No,No – 4:19 10 – Turn on the Night – 3:19
5 – High or Hell Water – 3:28 11 – Thief in the Night – 4:05
6 – My Way – 3:58

Após o fim da turnê de ASYLUM, ainda no primeiro semestre de 1986, a banda resolve dar um tempo, somente retomando as atividades quase um ano depois, no início de 1987. O retorno após as férias em 1986 traz a banda buscando um novo desafio, pois se a popularidade foi reconquistada após a retirada das máscaras e com três álbuns que venderam entre 500 mil e 1 milhão de cópias, o grupo ainda não conseguia se pagar durante turnês do porte das que os fãs estavam habituados, com toda a pirotecnia e parafernália cênica que foram mantidas, mesmo sem o make-up dos 10 primeiros anos. Gene e Paul resolvem buscar o que algumas bandas de hard-rock estavam conseguindo na época, execução maciça de músicas na rádio para que o novo álbum conseguisse mais do que apenas o status de platina. Como exemplos de bandas de sucesso da época, o Motley Crue com o trabalho THEATER OF PAIN tinha vendido em 2 milhões de álbuns em 1985, o Van Halen tinha conseguido 3 milhões de cópias vendidas em outubro de 1986 com o álbum 5150, estando em primeiro lugar da Billboard entre abril e maio do mesmo ano e o Bon Jovi tinha atingido a vendagem de 6 milhões de cópias em fevereiro de 1987 de seu álbum SLIPPERY WHEN WET, chegando aos 8 milhões antes do fim do ano. Outro álbum de ótimas vendagens ainda em 1986 era o então recente trabalho de Ozzy Osbourne, THE ULTIMATE SIN. Este álbum, produzido por Ron Nevison, foi o maior sucesso comercial de Osbourne até então e influenciou o KISS a contratar Nevison para pilotar as gravações do novo álbum. Paul Stanley já havia tentado trabalhar com Ron durante o seu álbum solo de 1978, mas compromissos profissionais de Nevison impediram tal parceria. Ron era tido como um fazedor de sucessos, tendo sido responsável por diversos sucessos e mais recentemente, além de Ozzy e o single Shot in the Dark, foi capaz de colocar o Heart novamente nas paradas e obter vendas milionárias do álbuns HEART (1985 – com quíntupla platina) e BAD ANIMALS (1987 – tripla platina).

A contracapa do Cd importado de Crazy Nights - O último da série Remasters.

A contracapa do Cd importado de Crazy Nights - O último da série Remasters.

Em março, quando Ron Nevison ficou disponível após a gravação deste BAD ANIMALS, o Kiss entra em estúdio para gravar o provisoriamente intitulado WHO DARES WIN, tendo Toby Wright como engenheiro assistente. Toby é conhecido por outro trabalho com o KISS, mas deixemos isso para um futuro post. As gravações se dão na Califórnia, na busca de uma sonoridade mais polida, com adição de teclados em algumas faixas, ora tocados por Paul Stanley, ora tocados por Phil Ashley, renomado músico de estúdio. Novamente encontramos Gene Simmons um tanto alheio de suas responsabilidades como co-líder do grupo, e notoriamente suas músicas ainda não atingem o padrão desejado por Stanley e Nevison. Gene, além dos filmes em que atuava, produzia diversas bandas como o Black and Blue, cujo guitarrista atendia pelo nome de Tommy Thayer. Várias da músicas de Simmons foram descartadas por Ron Nevison. Eric Carr traz algumas composições, que são descartadas também. A participação de Bruce Kulick, porém, é utilizada em quatro co-autorias, mas a música Sword and Stone, feita com Stanley e Desmond Child, também é deixada de lado, para desagrado de Kulick, que considerava uma grande faixa para o álbum. Hide your heart também não é aprovada, e assim como Boomerang (autoria com Gene Simmons), apareceria no HOT IN THE SHADE. Ron aposta nas músicas de Paul Stanley, sugerindo Reason to live e Crazy, Crazy Nights para singles. O nome do trabalho é alterado para CRAZY NIGHTS e a quase homônima música é lançada como primeiro single. A concepção da capa é de autoria de Paul Stanley e consiste de fotos da banda num suposto espelho quebrado, que reflete miniaturas das mesmas fotos. Na contracapa, a inclusão do símbolo Chikara, que havia sido usado no segundo álbum da banda, HOTTER THAN HELL. Eric Carr aproveita o símbolo e acaba por decorar sua bateria com diversos Chikaras em suas peças. Um vídeo de Crazy,Crazy Nights é lançado previamente, em Junho de 1987, assim como o compacto. O single vai bem na Inglaterra, chegando ao quarto lugar, mas apenas atinge o sexagésimo quinto lugar nos EUA. A banda tem problemas financeiros que interferem diretamente no lançamento do álbum e no inicio da turnê, tanto que o album é lançado oficialmente apenas em setembro e as apresentações nos EUA somente em novembro. A turnê americana segue num ritmo morno, com a inclusão no set list das músicas No, No, No e Hell Or High Water cantadas por Simmons e Crazy,Crazy Nights, Bang Bang You, Reason To live e When Your Walls Come Down a cargo de Stanley. Dessas, Hell or High Water e When Your Walls Come Down são descartadas rapidamente. Apenas Crazy, Crazy Nights foi tocada fora desta turnê e ainda assim apenas na turnê subseqüente. Em dezembro, Reason To Live é lançada e consegue atingir apenas uma posição acima de Crazy,Crazy Nights nos EUA. Enquanto isso, o Def Leppard (com HYSTERIA) e o Whitesnake (com o álbum homônimo, de 1987) fazem imenso sucesso nas paradas americanas, com diversos singles de destaque. Na Inglaterra, Reason To Live chega a um respeitável 33º lugar. A banda termina a excursão no ínicio de abril de 1988, após o lançamento do último single Turn On The Night, que falha completamente em terras americanas. No KISSOLOGY 2, Disc 3 há um parte do show desta turnê na Filadélfia. O álbum consegue o décimo-oitavo lugar nos charts americanos, somente uma posição acima do que ANIMALIZE conseguiu, mas atinge platina em fevereiro de 1988 e com esta posição, acaba sendo o mais bem sucedido álbum da banda em sua terra natal durante os anos 80, ainda que longe do que era almejado. Paul Stanley acaba avaliando o álbum numa cotação intermediária, 3 numa escala até 5. Não é conhecida a avaliação de Gene Simmons.

O vinil brasileiro - o encarte traz as letras do álbum.

O vinil brasileiro - o encarte traz as letras do álbum.

A banda parte para o Japão, ausente de sua turnê desde 1978, onde faz 7 shows em 9 dias. Esta turnê seria a primeira e única turnê no Japão que Eric Carr participaria. O show de Tokyo é encontrado em parte também no KISSOLOGY 2, no bônus disc. A turnê tem uma receptividade muito melhor do que a parte americana dos shows, principalmente pelas músicas mais clássicas dos shows, tais como Love Gun, Cold Gin, Calling Dr. Love, Shout It Out Loud e Strutter. O palco nem sequer traz o logotipo do KISS, como maneira de reduzir os custos de transporte. No segundo semestre de 88, o grupo parte para a Europa, onde CRAZY NIGHTS obteve maior repercussão. A Polygram lança o homevideo CRAZY NIGHTS que contém os três clips lançados pela banda ainda em junho, já que o KISS havia obtido boa vendagem dos homevideos anteriores (EXPOSED e ANIMALIZE LIVE UNCENSORED). Três anos depois, este homevideo viria a obter status de ouro, pela RIAA Certification. Como aquecimento para os shows da Europa, o grupo faz dois shows no clube The Ritz, em Nova York, um local de dimensões consideravelmente menores para uma banda do porte do KISS. Como conseqüência, novamente praticamente toda a pirotecnia e parafernália cênica é deixada de lado, mas eles obtêm boa receptividade em sua cidade natal, de novo principalmente pela inclusão de músicas que não tocavam há muito tempo,como Shout it out Loud e Deuce. Há outro bônus disc do KISSOLOGY 2 que mostra uma parte de um desses shows.

No encarte da edição Cd Remaster as letras e uma foto da banda.

No encarte da edição Cd Remaster as letras e uma foto da banda.

A excursão na Europa se dá prioritariamente na Inglaterra, visto o sucesso por lá conseguido. Eles começam com um show surpresa no Marquee, outro clube de dimensões próximas ao The Ritz. Em 20 de agosto tocam na versão inglesa e mais badalada do festival Monsters of Rock, não como banda principal, mas tocando antes de Dave Lee Roth e Iron Maiden. Outros festivais, como na Alemanha, também tem o KISS tocando por vezes até durante a luz do dia, mas a turnê européia também tem melhor receptividade do que nos EUA, e nesta época o single Turn on the Night chega ao 41º lugar na Inglaterra. A turnê termina no início de outubro, e eles retornam aos EUA para lançamento de uma coletânea.

O vinil brasileiro de Crazy Nights que usava o selo Mercury como o anterior.

O vinil brasileiro de Crazy Nights que usava o selo Mercury como o anterior.

N.R.: CRAZY NIGHTS é outro álbum a não nos entusiasmar, ainda que o consideremos num patamar superior ao anterior, ASYLUM. Na época continuávamos a procura de um álbum forte, no estilo de CREATURES OF THE NIGHT ou LICK IT UP e a Produção de Ron Nevison fez o KISS soar como os singles do Heart (por exemplo, If looks could kill), numa tentativa de fazer a banda como uma banda de rock-pop da época, nos desapontando. O Kiss (comandado por Paul Stanley), seguindo a tendência de quase todas as bandas de heavy metal, mesmo as mais tradicionais como Ozzy Osbourne, Judas Priest, procurava uma linha menos heavy – e mais poser na tentativa de ganhar o mercado americano. A incursão exagerada de teclados (também idéia de Paul Stanley) é justificada pelos diversos sucessos da época, de bandas citadas no texto acima, que continham na sua fórmula tal inserção e define o estilo artificial/pasteurizado do álbum. Em nossa opinião, Paul acerta em I’ll Fight Hell To Hold You, na balada Reason To Live (na linha de Love Walks In, do álbum 5150 do Van Halen), e faz um single competente em Crazy, Crazy Nights, mas exagera nas demais músicas, em especial na apelativa Bang Bang You, de letra tão pífia quanto Uh! All Night, do álbum anterior e destacadamente nos teclados em My Way, apesar de um vocal apurado. Aliás, os videoclips são relativamente melhores que os de ASYLUM, já que o excesso de lantejoulas e cores berrantes foi consideravelmente diminuído. Em relação às músicas de Gene Simmons, podemos dizer que estas são melhores que as dos últimos dois álbuns, nos parece que tem um pouco mais de cuidado em sua produção, mas ainda assim estão muito deslocadas do conceito do álbum, notoriamente muito diferente do estilo Simmons. Há de se destacar uma melhora considerável nos solos de Kulick, mais à vontade na banda após três anos. Eric Carr é destaque ao vivo, mas em estúdio se nota claramente que não há espaço para o baterista no estilo rock-pop de CRAZY NIGHTS. Na turnê, um músico convidado (Gary Corbett) se encarrega dos teclados em algumas canções, mas em Reason To Live estes são parcialmente tocados por Bruce Kulick. A presença dos teclados na banda nunca mais seria tão grande, mas ainda seriam usados de forma mais discreta de CRAZY NIGHTS para frente. A receptividade das músicas antigas na turnê faria Gene Simmons e Paul Stanley pensar numa retomada de raízes, e o próximo passo é resgatá-las através de nova uma semi-coletânea. Este é o assunto da próxima semana, até lá!

Alexandre B-Side e Flávio Remote.

The Rock and Roll Hall of Fame Benefit Concert: confira um pouco da apresentação do MetallicA com Ozzy Osbourne

•Sunday, November 1st, 2009 • Leave a Comment
MetallicA e Ozzy tocando clássicos do metal

MetallicA e Ozzy tocando clássicos do metal

E aconteceu. Ozzy Osbourne subiu ao palco e se juntou ao MetallicA na sexta passada, como atrações mais do que principais do “The Rock and Roll Hall of Fame Benefit Concert”, no Madison Square Garden, em Nova Iorque. Mas isso foi mais ao final da noite.

A abertura do show, pelo que parece, foi feita com o clássico-absoluto-nunca-pode-faltar For Whom The Bell Tools, original do segundo álbum da banda, de 1984, o kick-ass Ride The Lightning.

Aí os “Four Horsemen” fizeram uma jam com Lou Reed e depois com Ray Davies – tocaram One, Turn The Page, com Hetfield prestando homenagem, mais uma vez, a Bob Seger. Lou Reed puxou a banda para tocarem Sweet Jane e White Light White Heat.

Com Ozzy, as músicas tocadas foram:

Iron Man

Paranoid

Logo após, o lendário do The Kinks, Ray Davies, liderou o grupo para a apresentação de You Really Got Me e, depois, para a execução de All Day And All Of The Night.

A noite ainda não estava finalizada. A sempre “coverizada” pelo MetallicA Stone Cold Crazy, do Queen, foi tocada também. E para realmente finalizar, Enter Sandman.

Para quem tiver interesse, parece que os canais HBO vão apresentar este mês o show, porém dias e horários não estão disponíveis ainda (pelo menos no Brasil – nos EUA, a exibição será no dia 29/novembro/2009).

É isso aí!

 

MetallicA - 30/outubro/2009

MetallicA - 30/outubro/2009

[ ] ‘ s,

Eduardo.

Dirty Deeds Done With Sheep

•Saturday, October 31st, 2009 • 2 Comments

Get out the barn – stay off the farm!

Megadeth Radio – Download no iTunes

•Monday, October 26th, 2009 • 2 Comments

megadeth_live
Com o slogan “Seu iPhone é agora uma radio!” o Megadeth apresenta o seu software para o iPhone, iPod Touch e (alguns modelos do) Blackberry, a “Megadeth Radio”, que traz uma promessa, segundo o próprio Dave Mustaine “…nesta rádio você jamais ouvirá Nickelback!”.
Estilos a parte, através deste dispositivo o privilegiado dono de um destes brinquedinhos poderá, via streaming, ouvir/ver músicas, letras, álbuns e muito mais através do iTunes (e comprar as músicas, caso queira – mas isso somente para os americanos com conta na iTunes Store).
Para os interessados, mais informações podem ser vistas no site oficial da banda www.megadeth.com
iheartradio - mais de 300 rádios disponíveis

iheartradio - mais de 300 rádios disponíveis

Para mais informaçãoes da aplicação iheartradio, que possui a Megadeth Radio, clique aqui.
[ ] ‘ s,
Wagner e Eduardo.

Kiss discografia 21a parte – Álbum: Asylum

•Sunday, October 25th, 2009 • 4 Comments

Neste capítulo iniciaremos a fase mais poser da banda com:

Álbum : ASYLUM

A capa do vinil brasileiro da época do lançamento.

A capa do vinil brasileiro da época do lançamento.

  KISS: Paul Stanley, Gene Simmons, Eric Carr, Bruce Kulick

  Lançamento: 16/09/85

  Produtores:  Paul Stanley & Gene Simmons

  Primeiro Single: “Tears Are Falling”  – em 09/85

  Segundo Single: “Uh! All Night” – em 01/86

  Terceiro Single: “Who Wants To Be Lonely” – em 01/86

  RIAA Gold Certification em 13/11/85

  RIAA Platinum Certification em ?

  O Álbum atingiu #20 nas paradas

A capa do cd na edição remasterizada

A capa do cd na edição remasterizada

Faixas:

1- King of The Mountain – 4:17 6- Love´s a Deadly Weapon –  3:29
2- Anyway You Slice it  –  4:02 7- Tears Are Falling – 3:55
3- Who Wants to Be Lonely – 4:01 8- Secretly Cruel – 3:41
4- Trial By Fire  – 3:25 9- Radar For Love – 4:02
5- I´m Alive – 3:43 10 – Uh! All Night – 4:01

Em março de 1985 a turnê de ANIMALIZE termina em Meadowlands Arena Nova Jersey e banda mantém o estilo de seguir direto para o estúdio para fazer a nova bolacha com o título provisório de Out of Asylum (Saídos do Asilo), que refletia o estado da banda.  Explicando melhor, depois da primeira experiência com mudança no som da banda em 1979 com DYNASTY, o grupo passaria por momentos de loucura absoluta, quando perderiam dois membros originais, e teriam uma seqüência desastrosa (comercialmente falando) de álbuns, até o resgate de sua popularidade nos EUA a partir de LICK IT UP.  Apesar do resgate do sucesso nos EUA, ainda haveria mais duas trocas – dois novos guitarristas: Vinnie Vincent e Mark St. John, que não permaneceram na banda, cada um por um motivo, fato este que não ajudava em nada a manutenção da estabilidade do grupo.  O sentimento no início de 1985, com Bruce Kulick e Eric Carr, além do sucesso consolidado de ANIMALIZE, era de saída de um período tortuoso: um verdadeiro asilo. 

A contracapa do cd remasteriza e a resenha em inglês mantendo o padrão da série.

A contracapa do cd remasteriza e a resenha em inglês mantendo o padrão da série.

O título do álbum seria trocado por ASYLUM, uma redução do título original.   O álbum seria gravado em Nova Iorque, no Eletric Lady Studios e com produção de Gene Simmons e Paul Stanley.  Desta vez Gene traz uma série de músicas para o álbum, que teria sua gravação iniciada em abril, apesar de ter tido um ritmo real de gravações no meio de maio.  Em julho Bruce Kulick já estaria gravando os solos das músicas, quando nenhum dos outros membros estaria acompanhando-o no estúdio.  Também em julho a Polygram decide relançar os álbuns antigos no formato Cd, e aproveitando a deixa resolve re-lançar CREATURES OF THE NIGHT como uma nova edição, onde na capa a foto mostra banda desmascarada e com Bruce Kulick (N.R: já comentado em nosso 18º post: CREATURES OF THE NIGHT).  É facilmente entendida a intenção da gravadora: lançar um álbum forte de um período de baixo sucesso comercial da banda, com a cara da nova fase de sucesso – desmascarada, numa tentativa fracassada de elevar grandiosamente as vendas do álbum. As músicas que Gene traz inicialmente para as gravações do disco seriam: Love’s A Deadly Weapon (trazida de uma demo de 1980, marcando a primeira demo com Eric Car na banda) We Won’t Take It Any More, I Have Just Begun To Fight, Take It Like A Man, Russian Roulette, Nobody’s Perfect (estas duas últimas estão presentes no recente SONIC BOOM), 100%, Keep Your Tail Between Your Legs, What You See Is What You Get, Hello Hello ,Anyway You Slice It e Secretly Cruel – Apenas as duas últimas e a primeira fariam parte do disco.  Paul Stanley que mantém a parceria com os compositores Jean Beauvoir e Desmond Child (co-autor de quatro das seis músicas cantadas por Stanley), traz “I’m Alive” (inicialmente chamada de Run For Your Life) e com co-autoria também de Bruce Kulick e Radar For Love, que seria acusada por anos como um plágio de Black Dog (Led Zeppelin). Bruce Kulick participaria na composição de mais duas músicas – King of The Mountain e Trial By Fire.  Se Eric não participa na composição de nenhuma música, sua participação no álbum é de destaque tanto na equalização, quanto na faixa inicial, onde a introdução é feita como um mini solo de bateria.  Da parte em quem toca ou não toca o quê do álbum, além das funções habituais dos membros, Paul Stanley toca baixo em Tears Are Falling, Jean Beauvoir faz o baixo de Uh! All Night e Gene Simmons faz a guitarra base em Any Way You Slice It e Trial by Fire. Diferentemente de todas as outras estréias na banda, como as de Eric Carr, Vinnie Vincent ou Mark St John, que tiveram suas participações excluídas em pelo menos uma música em seus respectivos álbuns iniciais, Bruce Kulick participa como guitarrista solo no álbum todo, com a exceção de Trial By Fire, que não tem solo.    

A contracapa do vinil que mantém o estilo ridículo da capa.

A contracapa do vinil que mantém o estilo ridículo da capa.

A capa do álbum merece um parágrafo a parte e teve sua concepção por autoria de Paul Stanley exclusivamente.  Os membros da banda estilizados em gravuras retocadas em padrão de cores similares àqueles dos álbuns solo de 1978, onde Eric e Bruce receberam respectivamente o verde e azul que foram utilizados por Peter e Ace. A reação dos fãs à capa variava em achar simplesmente horrível a se insultar pela associação aos antigos membros.  Outro detalhe que completa a infeliz escolha de Paul é a referência clara a capa da banda Poison no álbum Look What The Cat Dragged In.  Stanley, porém, cita a capa de um álbum de um grupo chamado Motels como principal inspiração para esta capa. Tanto Gene quanto admitem que a idéia seria que ASYLUM se tornasse uma espécie de irmão gêmeo de ANIMALIZE, assim como tentaram fazer o mesmo na dupla ROCK AND ROLL OVER e LOVE GUN nos anos 70, mas ambos consideram este trabalho inferior ao precedente, já que Stanley o avalia com um conceito 3/5 e Simmons, 2/5.   

No início de setembro Gene voltaria a participar dos seus outros projetos – cinematográficos, e participaria em um episodio especial de Miami Vice.  Gene estaria também envolvido com a produção fonográfica, especialmente com a Banda Keel e com Wendy O´ Williams.

No encate do vinil com as letras - fotos em P&B dos membros da banda.

No encarte do vinil com as letras - fotos em P&B dos membros da banda.

Em 16 de setembro o álbum é lançado e atinge o 20º lugar nas paradas americanas e 12º na Inglaterra e basicamente mantém o status do anterior ANIMALIZE (19º nas paradas americanas).  Um mês após o lançamento, atinge RIAA Certification Gold, o que mostra que a banda mantinha o momento de sucesso comercial, reiniciado com LICK IT UP. O álbum já atingiu as vendas suficientes para ser RIAA Certification PLATINUM, porém estranhamente nunca ganhou este status oficialmente.  O single Tears Are Falling atinge respectivamente 51º lugar nos EUA e 57º na Inglaterra e Uh! All Night quase nem chega a ser lançado propriamente como um single, não atingindo lugar algum nas paradas.  Os dois singles são lançados como vídeos, assim como Who Wants to Be Lonely e obtém boa visibilidade, principalmente na MTV americana.

O verso do encarte com as fotos de Gene e Bruce em P&B.

O verso do encarte com as fotos de Gene e Bruce em P&B.

A ASYLUM Tour se inicia em Little Rock, Arkansas em 29/11/1985, mantendo o mesmo estilo do set de palco de ANIMALIZE, com exceção do logotipo do Kiss ampliado e algumas alterações na plataforma da bateria.  Uma cover do The Who seria tocada nos shows – Won´t Get Fooled Again, substituindo Wholle Lotta Love (Led Zeppelin) que havia sido tocada na turnê de ANIMALIZE.  As músicas do álbum incluídas no set list seriam: King Of The Mountain, Any Way You Slice It, Tears Are Falling e Uh! All Night, embora as duas primeiras fossem tocadas em pouquíssimos shows.  Apenas Tears Are Falling seria tocada em turnês posteriores a esta.   Em janeiro de 1986 o Kiss tocaria pela primeira vez em Porto Rico, onde Paul Stanley tocaria Strutter juntamente com uma banda local, em um bar de San Juan.  A turnê se finalizaria em Meadowlands Arena em 11/04/86 e o álbum, logo a seguir, sumiria completamente das paradas americanas. Não há qualquer registro de algum show desta turnê no DVD KISSOLOGY ou qualquer outro vídeo lançado oficialmente pelo grupo.

A capa do video Kiss Exposed.

A capa do video Kiss Exposed.

No ano seguinte, em 1987 o Kiss lançaria um vídeo em longa metragem chamado KISS EXPOSED, que basicamente traria como enredo a ida de um repórter atrapalhado à suposta casa de Paul Stanley, que juntamente com Gene – já que Eric e Bruce praticamente não falam nos 90 minutos de duração – mostrariam as facetas da banda durante os anos passados.  Alguns momentos dos shows da fase mascarada são mostrados, desde uma parte do show em P&B em São Francisco de 1975, até momentos do show do Kiss no Maracanã – Rio de Janeiro em 1983.  Estão presentes todos os clips até então da fase desmascarada (exceto Thrills in the night), incluindo os três vídeos de ASYLUM, além de I Love it Loud da fase com make-up.          

O Vinil de Asylum mostra a mudança de selo da banda para a Polygram/Mercury.

O Vinil de Asylum mostra a mudança de selo da banda para a Polygram/Mercury.

N.R: Falar de ASYLUM como álbum não é uma tarefa muito animadora. Apesar de na época estarmos empolgados com o sucesso da banda e que praticamente aprovássemos qualquer coisa que a banda fizesse, o álbum é fraco e com poucos destaques.  As musicas de Gene não empolgam, a não ser Love´s A Deadly Weapon que agrada apenas ao B-side.  King of the Mountain, a faixa de abertura, talvez seja a melhor do álbum e as músicas de Paul são um pouco melhores, mas bem inferiores às dos álbuns anteriores, como em CREATURES OF THE NIGHT, LICK IT UP e ANIMALIZE. Tears Are Falling é uma boa música trazendo um ótimo solo de Bruce Kulick, algo que não havia nos singles dos álbuns precedentes. Já Uh! All Night peca por um certo exagero no foco comercial, principalmente pela letra apelativa.  Radar For Love talvez seja a pior do álbum, além de tentar ser um plágio descarado de Black Dog (Led Zeppelin).  Pior que o conteúdo musical é a capa, de extremo e desnecessário mau gosto. Do mesmo mau gosto são os clips dos três singles: Os trajes nunca estiveram tão ridiculamente coloridos, os enredos (?) destes vídeos nunca foram tão toscos. O incrível é ter que admitir que talvez o videoclip de Uh! All Night (a pior música entre os três singles) pode ser por nós apontado como o menos ruim . Podemos afirmar que ASYLUM era o pior lançamento da banda em anos, mas que mesmo assim manteve a banda em boa reputação nos EUA. O grupo, de fato, atinge uma boa estabilidade interna, pois conseguiu enfim ter um músico competente para substituir Ace Frehley, apesar de ter um estilo bem diferente do guitarrista original – mudando ao vivo alguns dos solos clássicos da banda. Bruce seria um guitarrista moderno, adequado à era pós Van Halen e em moda na época, sem competir ou ofuscar os reais donos da banda, Gene e Paul. Sobre o vídeo EXPOSED, ainda estávamos na época em que poucos tinham VHS, e lembramos-nos de ter assistido a uma cópia na casa de um amigo de um amigo em Botafogo.  Os momentos onde a banda toca ao vivo no vídeo eram inéditos na época e são os destaques.  O enredo do longa é ridículo, mas bem melhor que o pífio KISS MEETS THE PHANTOM OF THE PARK (citado no 9º Post que fizemos desta serie:Double Platinum).  A seguir haveria um hiato de mais de dois anos sem um novo álbum, que traria a banda ainda nesta fase poser, mas isso é assunto para CRAZY NIGHTS, no próximo post, até lá!

Flávio Remote  e Alexandre Bside

U2ube: show ao vivo da banda via streaming

•Friday, October 23rd, 2009 • 1 Comment

Galera, na boa: essa vale mais pelo feito tecnológico do que pela banda, na minha opinião.

Os chatos para dedéu que fizeram com que os ingressos no Brasil ganhassem status e preço de jóia rara O U2 e o Google se uniram para transmitirem pelo canal da banda no You Tube o show que será realizado neste próximo domingo, dia 25/out/2009, no Pasadena Rose Bowl (Califórnia). Ou seja, é uma boa pedida para os fãs da banda e de tecnologia / Internet (e que tenham uma banda larga decente).

Aos interessados, o show começará  exatamente às 20h30 no horário local, que já será 1h30 da manhã de segunda-feira (26/out) pelo horário de Brasília.  Depois do live streaming, o vídeo do show ficará também disponível sob demanda no canal.

Aqui está o teaser do show:

[ ] ‘ s,

Eduardo.

Ozzy se juntará ao MetallicA para o 25º aniversário do Rock and Roll Hall of Fame

•Thursday, October 22nd, 2009 • 1 Comment

Pessoal,

Mr. Ozzy Osbourne se juntará ao MetallicA na apresentação que a banda fará em em 30/outubro/2009 no Madison Square Garden, como parte da celebração de 25 anos do Rock and Roll Hall of Fame, a qual a banda foi nomeada e que vimos por aqui.

A banda já vem ensaiando tocar o clássico War Pigs, como vocês podem conferir no vídeo abaixo (com direito a alguns mini-medleys com coisas do Death Magnetic, como Judas Kiss):

A celebração contará com shows em 2 dias (29 e 30 de outubro de 2009), a saber:

Apresentações de 29 de Outubro:

  • Bruce Springsteen & The E Street Band
  • Paul Simon
  • Paul Simon & Garfunkel (tocando juntos novamente)
  • Crosby, Still, Nash & Friends
  • Stevie Wonder

Apresentações de 30 de Outubro:

  • Eric Clapton
  • Aretha Franklin
  • U2
  • MetallicA + Ozzy

Fontes:

http://frantikmag.com/blog/2009/10/21/ozzy-osbourne-to-perform-with-metallica-for-rock-hall-of-fames-25th-anniversary

http://www.rockhall25.com

[ ] ‘ s,

Eduardo.

O poder da música: 13.500 pessoas com microfones cantando o clássico Hey Jude

•Thursday, October 22nd, 2009 • Leave a Comment

OK, é uma campanha publiciária e tudo mais, mas vale pela emoção que o poder da música passa… aliás, grande escolha para este mega coral de 13.500 pessoas!

Isso aconteceu em Londres, Inglaterra, na Trafalgar Square.

Como é bom ver coisas assim, atemporais… entrem no clima…

[ ] ‘ s,

Eduardo.

MetallicA: Français Pour Une Nuit

•Wednesday, October 21st, 2009 • 8 Comments
Are you alive? How does it feel to be alive? SHOW ME!
Já sabíamos que o rumor havia se confirmado e que o MetallicA estava lançando um novo blu-ray / DVD ao-vivo.
Pois é, o site oficial acaba de divulgar os detalhes deste novo item oficial da discografia da banda:
23/novembro/2009: lançamento do Francais Pour Une Nuit

23/novembro/2009: lançamento do "Français Pour Une Nuit"

O show gravado é o que a banda realizou no dia 07/julho/2009, no histórico anfiteatro romano de Nimes. O lugar é realmente espetacular, confiram:
Nimes, France

Nimes, France

http://metallicablogmagnetic.com/wp-content/uploads/2009/05/metallica-nimes-live-dvd.jpg

Por dentro do coliseu romano (mas o da França)

Talvez tão espetacular como o lugar escolhido para este grande show seja o setlist da banda. Claro que há muitos e muitos clássicos de fora, mas temos músicas que não eram tocadas há muito tempo (e a banda continua com uma base de músicas antigas sendo executadas nos shows, mas variando bastante noite após noite).
Confiram o set da noite em questão e que estará neste material:
  1. Blackened
  2. Creeping Death
  3. Fuel
  4. Harvester Of Sorrow
  5. Fade To Black
  6. Broken, Beat & Scarred
  7. Cyanide
  8. Sad But True
  9. One
  10. All Nightmare Long
  11. The Day That Never Comes
  12. Master Of Puppets
  13. Dyers Eve
  14. Nothing Else Matters
  15. Enter Sandman
  16. Stone Cold Crazy
  17. Motorbreath
  18. Seek & Destroy

Como vocês podem conferir acima, há músicas que um verdadeiro fã da banda morreria feliz após vê-las ao vivo (eu, por exemplo). Começa e termina com meus sonhos de consumo de um possível setlist “perfeito” (para mim), com Blackened (surreal) e encerrando com a big Seek & Destroy (iiiaaa). No meio da brincadeira, clássicos como Creeping, Harvester, Fade, One e Master.

Mas o que dizer de “Dyers Eve”? Esse mito do …And Justice sendo executado ao-vivo é algo que eu não consigo imaginar. Vou até deixar nosso amigo “Marcus Batera” comentar sobre isso…

Sem contar outras músicas, como Motorbreath (it’s how I live my life) e as novas do Death Magnetic. Falando nele, o vídeo disponível no site oficial traz como teaser o que eu considero o melhor riff do disco, da música BBS, além de uma parte da The Day That Never Comes.

Aqui está o meninão:

http://www.metallicanimes.com?bcpid=45030553001&bclid=35548063001&bctid=34400930001

Além disso, a banda fez questão de fazer todo o material (inclusive a edição) na língua francesa. Absolutamente tudo está em francês (menos uma ou outra foto, pelo que eles comentam).

Quero comprar hoje. Interessado na compra? Então atenção:

Os caras fizeram um hotsite para a venda. Os formatos que estarão disponíveis, como se espera de um lançamento atual, são: DVD e (oba) blu-ray. Além disso, haverá um box especial e limitado, com camiseta, fotos e afins – mas em DVD (pô, se é um produto premium, faz logo em blu-ray!). Esse box set virá com o CD do Death Magnetic também (obrigado, já tenho 2).

Box Set

Box Set

Agora a parte “ruim”: pelo menos por enquanto e oficialmente, estes materiais só estarão disponíveis para venda em lojas na França, por este hotsite ou pelo site oficial dos caras. Não há previsão de vender o material de outra forma! Para variar, os artistas vão encontrando novas formas de distribuição de música, mas isso é outro assunto. Eu particularmente fico triste, pois não vai ser fácil para todos conseguir colocar as mãos no material oficial.

Por último, não há restrições de região para o DVD ou zona para o blu-ray.

Boa sorte para nós… eu já vou tentar me virar por aqui… aliás, veja bem, já me virei! Meu pedido está feito!

E agora é rezar para vermos um pouco disso em alguns meses

[ ] ‘ s,

Eduardo.

Kiss discografia 20a parte – Álbum: Animalize

•Monday, October 19th, 2009 • 7 Comments

Neste capítulo veremos a conturbada participação ainda mais meteórica do novo guitarrista Mark St John e a retomada do sucesso na fase sem máscara do KISS.

 

No vinil brasileiro - a temática animalesca, sem fotos da banda.

No vinil brasileiro - a temática animalesca, sem fotos da banda.

Álbum : ANIMALIZE

   Lançamento: 13/09/84

  Produtor:  Paul Stanley

  Primeiro Single: ” Heaven’s on Fire”  - em 09/84

  Segundo Single: “”Thrills in the Night” – em 01/85

  RIAA Gold Certification em 03/12/84

  RIAA Platinum Certification em 12/12/84

  O Álbum atingiu #19 nas paradas

 

O Cd Remaster - a edição mantem o padrão com resenha em inglês

O Cd Remaster - a edição mantem o padrão com resenha em inglês

Faixas:

1- I’ve Had Enough – 3:50 6- Under the Gun – 3:59
2- Heaven’s on Fire  – 3:18 7- Thrills in the Night – 4:18
3- Burn Bitch Burn – 4:38 8- While the City Sleeps – 4:04
4- Get All You Can Take  – 3:42 9- Murder in High Heels – 3:39
5- Lonely is the Hunter – 4:27  

 Com a demissão de Vinnie Vincent , o KISS se encontra na metade de 1984 tendo de escolher um novo guitarrista para dar seqüência a fase sem maquiagem recém-começada. O novo membro da banda teria de apresentar as habilidades dos super-guitarristas da época .  Grover Jackson, fabricante das guitarras Jackson separa 10 guitarristas de uma lista de 100 e entrega a tarefa a Paul Stanley. Mark Norton, de origem californiana e habilidade técnica indiscutível, chama a atenção do vocalista. A audicão final consiste de uma versão country de Stairway to Heaven junto à banda, e Mark é aprovado sem quase conhecer o som do KISS, uma vez que seu background é muito mais na linha jazz-rock e fusion. 

O Encarte em P&B do vinil brasileiro

O Encarte em P&B do vinil brasileiro

O inicio das gravações ainda conta com a presença de Michael James Jackson, produtor dos 3 álbuns anteriores, mas este apenas ajuda nas gravações da bateria. Com os basic-tracks rapidamente concluídos, Mark se vê sozinho no Right Track Studios em Nova York, enquanto Paul tira umas férias nas Bermudas com a atriz Lisa Hartman, Eric vai para a Flórida e Gene se encarrega de sua nova atividade, ator de Hollywood. Mark utiliza o tempo disponível e vai temperando todas as músicas com seu estilo altamente técnico, mas quando Paul e Gene retornam descartam quase tudo do que Norton gravou, pois eles não concordam com o estilo empregado por Mark, muito distante do que o KISS fazia.

 Paul e Gene trabalham então em estúdios diferentes, por questão de tempo ou segundo Mark, por questão de ego. Como estão em lados opostos de Manhattan, a todo o momento ligam um para o outro perguntando se podem “usar” Mark. O novo guitarrista se vê se deslocando de um lado para o outro da cidade de taxi para tentar atender ambos. Depois da experiência com Vinnie Vincent, Stanley e Simmons deixam bem claro para Mark que a participação dele no KISS se resumiria às intervenções de guitarra, não admitindo qualquer contribuição como compositor. Gene precisa retomar as filmagens de Runaway, onde tem um papel feito para ele, o de vilão. Este é disparado o melhor filme que o linguarudo baixista faria em toda sua não muito bem sucedida carreira de ator, ainda que assim mesmo o filme não seja uma obra-prima, longe disso. Na verdade, independente do já curto tempo, Gene se encontra num momento onde prioriza esta nova faceta, em detrimento ao seu trabalho no KISS. O baixo de diversas músicas compostas e cantadas por Paul Stanley é feito por Jean Beauvoir, co-autor de Thrills in the Night. Além desta, Beauvoir (que abriu para o Kiss com sua banda Plasmatics na turnê anterior) toca em Under the gun e Get all you can take. A questão com Mark Norton, rebatizado artisticamente como Mark St John, é bem diferente: O novo guitarrista se sente bastante tolhido de sua participação em ANIMALIZE, segundo ele os licks gravados anteriormente fariam a espinha de qualquer fã tremer, mas acredita que Paul Stanley temia que novamente um novo guitarrista pudesse obscurecer todo o restante do trabalho. Paul Stanley, que finaliza o álbum sozinho, tendo toda a responsabilidade de produzi-lo, discorda: Considera Mark um excelente guitarrista, mas que não consegue fazer o mesmo solo duas vezes e resolve chamar Bruce Kulick, irmão do amigo Bob para fazer o solo de Lonely is the hunter, composição deixada inacabada por Gene Simmons e ainda alguns overdubs em Murder in High Heels, outra do baixista. Paul acrescenta também alguns backings próprios em Lonely is the Hunter, assim como já havia feito em You´re all that I want, composição de Simmons no album UNSMAKED. Outras participações incluem alguns overdubs de bateria feitos por Allan Schwartzberg, por motivos desconhecidos e também de alguns backings de Desmond Child, que tem participação decisiva na co-autoria de várias das músicas escritas por Paul Stanley, inclusive o single Heaven’s on Fire. 

A contracapa do vinil com fotos em montagem

A contracapa do vinil com fotos em montagem

ANIMALIZE torna-se o segundo álbum a não ter a presença da banda na capa, apenas na contracapa. E a foto que está nesta contracapa é motivo de polêmica, pois foi de tal forma alterada que até pedaços de braço, perna e pescoços foram substituídos da foto original, pois aparentemente o resultado inicial, que durou 10 horas para ser finalizado, não agradou. O álbum é lançado em setembro de 1984 e atinge rapidamente a posição número 19 nos EUA e número 11 na Inglaterra, como conseqüência do sucesso de LICK IT UP um ano antes. Gene e Paul atribuem a ANIMALIZE as mesmas notas de LICK IT UP (2/5 na avaliação de Simmons, 4/5 na avaliação de Stanley), mas ambos consideram o novo álbum melhor que o anterior. As críticas são unânimes em apontar Mark St John como o responsável pela revitalização do som do KISS, ainda que seus solos originais tivessem sido sensivelmente editados. O clip de Heaven’s on Fire (presente no vídeo Exposed, de 1987) é sucesso na MTV e eles se preparam para uma turnê na Europa. Há no Kissology Vol 2, Disc 3 um easter-egg que traz uma entrevista de Gene Simmons e Mark St John, a única conhecida. Para a turnê, dois contratempos precisavam ser resolvidos: para a filmagem de Runaway, Gene Simmons havia deixado seu cabelo bastante curto, e a solução é utilizar perucas de gosto questionável tanto nas filmagens do clip, na foto da contracapa, como também em todos os shows. O outro problema é muito maior: Mark St John contrai uma espécie de artrite diagnosticada como Síndrome de Reiter, que faz inchar tanto suas mãos quanto articulações das pernas, como tornozelos ou joelhos e não se encontra capaz de seguir para a Europa. Para seu lugar é chamado novamente Bruce Kulick, que temporariamente cobriria os compromissos já assumidos até a pronta recuperação de St John. A banda sequer menciona o problema na turnê européia, fazendo a todos crer que Bruce é na verdade Mark, numa estratégia bastante duvidosa, uma vez que os posters da promoção da banda traziam uma foto com Mark. A turnê começa em 30/09 na Inglaterra e inicialmente eles tentam tocar Burn Bitch Burn,a única nova canção cantada por Gene e também Get all you can take, mas ambas não funconam ao vivo. Outras canções novas tocadas na turnê  são Under the Gun e I’ve had enough ( into the fire), além do novo single. Heaven’s on Fire teria uma longa vida nas turnês subseqüentes (além dela apenas Under the gun também foi tocada na turnê seguinte). O show traz 2/3 de músicas dos últimos três álbuns, e cinco indubitáveis clássicos para complementá-las.

O cd remaster numa edição caprichada que mantêm o estilo do original em vinil

O cd remaster numa edição caprichada que mantêm o estilo do original em vinil

A turnê européia é um sucesso e Bruce se dá muito bem no lugar de Mark St John, mesmo não tendo a mesma técnica. Sua personalidade mais discreta agrada aos donos da banda, e como Mark não melhora, os shows americanos começam com a mesma formação, já trazendo um cartaz com a foto de Kulick. A turnê começa em 15/11 em Bethlehem. Nos dias 27,28 e 29, Mark faz finalmente seu debut ao vivo com a banda, tocando apenas 3 canções. As demais são tocadas com Bruce Kulick. Mark nunca mais tocaria com o KISS, sendo oficialmente demitido em 08/12/1984. Fora do KISS , ele tocou com diversos músicos conhecidos, como Glenn Hughes, a dupla Tommy Aldrigde e Rudy Sarzo, Jeff Scott Soto e até em um show com Peter Criss, mas apesar de seu imenso talento nunca obteve repercussão considerável.  Em sua opinião, a doença que contraiu na verdade foi fruto do stress gerado pela total incompatibilidade tanto musical quanto de temperamentos entre ele e a dupla Gene-Paul. Antes do KISS, Mark estava acostumado a desafios tecnicamente muito superiores ao trabalho na banda, como tocar peças inteiras de Pagannini na guitarra, sem nunca ter tido qualquer tipo de doença. Mark Norton veio a falecer prematuramente aos 51 anos, em 05/12/2007, vítima de hemorragia cerebral, sendo certamente o músico com mais talento e menos reconhecimento entre todos que no KISS estiveram. Na concepção de Paul e Gene, contratá-lo havia sido um erro, pelos mesmos motivos alegados por Mark e o que havia sido algo temporário funcionou perfeitamente, estava claro que a vaga era de Kulick. Em dezembro, ANIMALIZE ganhou disco de ouro e de platina, o primeiro desde DYNASTY, uma prova incontestável do sucesso do álbum. A turnê segue por mais três meses com a inclusão de Thrills in the night (lançada como segundo single) no lugar de I’ve had enough  e termina em 29/03/85.  

O Dvd brasileiro - Animalize Live Uncensored - uma excelente performance.

O Dvd brasileiro - Animalize Live Uncensored - uma excelente performance.

Em abril, uma novidade : A banda lança seu primeiro home-vídeo com um show na íntegra gravado em Detroit,  Animalize Live Uncensored. Deste show foram gravadas as cenas do clip de Thrills in the Night, com os closes efetuados durante o dia do show, já com o palco montado. O home vídeo é um sucesso, e atinge status de ouro e platina em 1986 e 1987 respectivamente. Muito tempo depois ele foi lançado em DVD numa versão brasileira, e atualmente é raridade nos EUA, pois o KISS nunca o relançou por aquelas terras. A versão tupiniquim tem um conteúdo que não respeita as fotos da época, quase todas que por lá se encontram são de diversas outras fases da banda. Além disso, traz uma obrigatória legenda em português que contempla diversos erros de tradução. O clip de Thrills in the night poderia ter sido incluído nos extras, já que não está presente em qualquer videografia oficial da banda, mas trata-se de outro exemplo de algo mais uma vez esquecido por falta de cuidado na concepção de vídeos lançados em nossas terras.          

O Rock de Kiss numa versão em Cdr, imitando a original lançada em vinil

O Rock de Kiss numa versão em Cdr, imitando a original lançada em vinil

N.R: Em 1984, o KISS mantinha sua popularidade no Brasil, graças a então recente passagem pelo país e também pela boa execução de Lick it up nas rádios. Como conseqüência, a gravadora Polygram – selo Fontana lança uma coletânea dupla chamada “O Rock de KISS” que tem na sua capa uma foto contendo Mark St John. Esta coletânea (cuja seleção do repertório foi feita por Cidinho Cambalhota) é rara, pois somente foi lançada em nosso país, e contempla  tanto clássicos inquestionáveis (como Rock and Roll all nite, I was made for loving you e Detroit Rock City) como músicas inusitadas para uma coletânea como Charisma, She’s So European e All American Man. A capa traz uma recente foto da banda, com Mark St John, mas não há músicas do novo álbum.  O home vídeo Animalize – Live Uncesored nos traz muitas recordações do período e foi sem dúvida alguma o vídeo que mais vimos em toda a nossa existência. Como ainda não tínhamos videocassete, o jeito era se deslocar de ônibus por mais de 1 hora de Vila Isabel para Ipanema e ver por diversas vezes a exibição deste show numa pequena sala que mostrava shows de Rock da época. Há momentos não tão gloriosos, como a notória regravação do áudio em boa parte do show, além de inclusão de trechos em vídeos que não respeitam nem menos o mesmo instrumento que os músicos estão utilizando no momento. Como exemplo, Bruce Kulick toca Black Diamond, a última musica do show antes do bis com uma guitarra preta, mas se retira do palco com outra de cor dourada. O vídeo também traz momentos sensacionais, como uma excelente execução de Young and Wasted cantada por Eric Carr (muito melhor que a versão original, cantada por Simmons). Eric Carr era uma força poderosa na banda em shows ao vivo, e este vídeo é um dos melhores momentos oficiais do baterista no grupo. Em nossa opinião, ANIMALIZE fez tanto sucesso muito menos pela coesão do álbum e muito mais pelo menos três fatores: Por ter sucedido LICK IT UP, que ressuscitou a banda, pela incrível perfomance de Mark St John e por ter um single competente de bastante veiculação na MTV. Era o começo da época das bandas de estilo conhecido como poser (ou hair metal, glam, farofa, etc…) e Paul Stanley apostou neste caminho para a retomada do sucesso. Suas músicas no álbum competem em nível de igualdade com as por ele compostas em LICK IT UP, mas o mesmo não se pode dizer de Gene Simmons. Notoriamente as músicas do baixista estão num nível muito inferior ao que ele apresentou em LICK IT UP e muito abaixo das composições de Stanley em ANIMALIZE. O deslocamento de Simmons não se refere apenas as suas músicas, mas também em relação à nova atitude mais moderna da banda, onde ele mostrava muita dificuldade em se encaixar.

O vinil brasileiro da época que foi ouvido a exaustão.

O vinil brasileiro da época que foi ouvido a exaustão.

A fórmula usada em ANIMALIZE funcionou, e na próxima semana veremos o KISS ir mais fundo na utilização desta receita, até lá!

Alexandre Bside e Flávio Remote