Nesta resenha abordaremos um novo álbum inédito com a formação original e convidados invisíveis, além da terceira incursão em nossas terras e dados das turnês do Kiss no fim da década de 90 e início do novo milênio.

A capa da edição brasileira simples do cd Psycho Circus
ÁLBUM: PSYCHO CIRCUS
- Paul Stanley, Gene Simmons, Ace Frehley, Peter Criss
- Lançamento: 22/09/98
- Produtores: Bruce Fairbairn
- Primeiro Single: Psycho Circus em 08/98
- Segundo Single: You Wanted The Best em 11/98
- RIAA Gold Certification em 22/10/98
- O Álbum atingiu #3 nas paradas

Em detalhe na capa do cd - o efeito 3D.
Faixas:
| 1. Psycho Circus – 5:30 |
6. You Wanted The Best – 4:15 |
| 2. Within – 5:10 |
7. Raise Your Glasses – 4:14 |
| 3. I Pledge Allegiance to the State of Rock & Roll – 3:32 |
8. I Finally Found My Way – 3:40 |
| 4. Into The Void – 4:24 |
9. Dreamin – 4:12 |
| 5. We Are One – 4:41 |
10. Journey of 1,000 Years – 4:49 |
Após o grande sucesso da Alive/Worldwide Reunion Tour, o Kiss se vê diante de um novo desafio: o lançamento de um novo álbum com a formação original. Desde 1979 com DYNASTY a banda não se reúne para tal empreitada. Podemos na realidade, considerar LOVE GUN em 1977, como o último onde os quatro membros originais participam de forma ativa e quase igualitária, já que em DYNASTY, Peter Criss somente participa de Dirty Livin´, onde toca bateria e canta. Bob Ezrin é novamente cotado para a produção do álbum, mas como Ace nunca foi um grande fã do produtor, e também por causa de compromissos do próprio Ezrin, a idéia ou seu rumor é descartada.
Em 04/01/1998 o Kiss entraria no estúdio para duas semanas de pré-produção onde seria iniciada a apresentação de composições demos dos membros e, com Bruce Fairbairn (responsável por álbuns como Slippery When Wet e New Jersey do Bon Jovi e Permanent Vacations, Pump e Get a Grip do Aerosmith) na produção, haveria a escolha do repertório para o álbum. Cabe aqui ressaltar que o retorno de Ace e Peter não garantiria igual poder na votação de qualquer rumo para a banda, visto que Gene e Paul, em termos de poder, após a saída dos membros originais, detiveram a banda funcionando, quase exclusivamente sobre os seus comandos e não permitiriam que o retorno dos membros originais alterasse esse “Status Quo”. Desta forma, de quarenta a cinquenta músicas apresentadas, Bruce Fairbairn classifica duas listas: A e B. Na lista A constariam We Are One, I Am Yours, Into The Void, I Wanna Rule The World, Rain Keeps Fallin’, It’s My Life, Within, Killing Joke, Everyday Above Ground, You Wanted The Best, I’m Back. Na lista B estariam Carnival Of Souls (uma sobra do álbum anterior que poderia ser recolocada em que seria remontada como PSYCHO CIRCUS, dependendo do encaixe ao tema do novo álbum), Rotten To The Core, Everybody Knows, Everybody Knows Somebody, Hunger, Master Of Flesh, Turn To Stone, Star Child, Gonna Be Alright, In Your Face, Spirit Is Willing, Rocket ?, ??? Takes A Trip. É importante ressaltar que algumas dessas canções eram apenas títulos de canções, já que Gene constantemente compunha canções a partir de títulos ou idéias tema. De qualquer forma Peter e Ace estavam tentando participar das canções incluídas no álbum: Algumas das contribuições de Ace, como Life & Liberty, Shooter and You Make Me Hard, foram descartadas de cara. As esperanças de Peter ficavam na balada chamada Together, co-escrita por Tommy Thayer. No fim de janeiro, Ace cria novas demos em separado com Karl Cochran, que escreveu uma das demos inteiramente, com Ace participando apenas com o solo e as letras. Essa música se transformaria em Into The Void e entraria no álbum. A seguir começam rumores principalmente via internet que músicos extra-banda estavam gravando o álbum. Um dos mais citados era Bruce Kulick que acaba declarando que apenas havia participado da pré-produção com ajuda na realização de demos com Paul Stanley, e que não fora convidado para participar do álbum. A banda trabalharia até o final de abril na gravação do álbum, e posteriormente se confirma que o álbum conta notadamente com convidados extra-banda, já que as participações de Peter e Ace se limitaram a vocais e nos seus instrumentos apenas em Into The Void e You Wanted The Best (Ace) que seria a primeira faixa do grupo em toda a história da carreira contendo os quatro membros nos vocais. As outras e principais participações na bateria e guitarra solo são feitas por: Bruce Kulick na introdução em solo de guitarra em Within e Tommy Thayer que faz a guitarra solo em todas as faixas. Kevin Valentine toca bateria em todo álbum, exceto em Into The Void. Além desses convidados Bob Ezrin participa no piano elétrico (Fender Rhodes) em I Finally Found My Way e Shelly Berg faz o complemento em piano também em I Finally Found My Way e Journey of 1,000 Years. Gene Simmons atribui 3 estrelas ao trabalho (numa escala até 5), Paul Stanley o avalia com 4 estrelas e Ace Frehley também dá 3/5 estrelas, embora ache que o álbum poderia ser melhor, se ele e Peter Criss pudessem tocar mais no mesmo. A decisão de que ambos não tocassem em PSYCHO CIRCUS partiu de Bruce Fairbairn, pois durante a pré-produção o produtor não gostou do desempenho apresentado por Criss e Frehley. Contribuiu também o prazo sempre apertado para gravação do trabalho, pois, segundo Mike Plotnikoff , engenheiro de som do álbum, seria necessário talvez um ano para que Ace e Peter pudessem gravar tudo que lhes coubessem como membros participativos do projeto.

Na contracapa em destaque a formação original com seus personagens.
Há um hiato desde o final das gravações em junho e o seu lançamento em setembro de 1998. Durante este período, há um vazamento (outra vez !!!) da música Psycho Circus, quando em 13/07/98, a estação de rádio WRAT em Point Pleasent, New Jersey, a executa várias vezes, para delírio dos fãs da banda. Alguns dias e muitas execuções depois, a gravadora Mercury Records impõe uma ordem judicial para interrupção da execução da música. Em 15/07/1998, depois de vários problemas contratuais e atrasos, um projeto do tipo Box Set, apenas a ser lançado no Japão, sai da gaveta e é intitulado de “The Originals 1974-1979″. O box contém os nove primeiros álbuns, excluindo-se o DOUBLE PLATINUM e os álbuns solo de 1978. A edição em vinil colorido contém encartes originais e adicionais num pacote especial custando trezentos dólares e limitado a duas mil e quinhentas cópias. Em 17/07/1998 outra rádio em Detroit executa Psycho Circus, e logo a seguir em agosto de 1998 uma cópia avançada do álbum inteiro vaza pela internet. O Single Psycho Circus (que contém a música “In Your Face” com Ace Frehley nos vocais, somente incluída na versão japonesa do álbum) finalmente é lançado em no mesmo mês e atinge o primeiro lugar entre nas paradas das rádios. Em 15 de setembro o vídeo de Psycho Circus em 3D é lançado no Mann’s Chinese Theatre em Hollywood, CA. A MTV se recusa a tocar o vídeo, até que o álbum atinja Gold Certification, e se justifica pelo sentimento que a emissora tem que a banda não atenderia aos gostos de seus telespectadores. Mesmo depois de atingir Gold Certification, a MTV mantém sua recusa na divulgação do vídeo, numa clara tendência de influenciar seu público a não aceitar o trabalho da banda. Esta recusa colabora para que a banda lance em vídeo (VHS) a música Psycho Circus, num pacote com óculos 3D. A seguir, a gravadora divulga em um press release, ter um grande prazer em lançar do novo álbum da banda PSYCHO CIRCUS, o primeiro gravado com os quatros membros em vinte anos. Em detalhes, o press release ainda informa que o álbum é produzido por Bruce Fairbairn, contém 10 músicas e seria lançado em 22/09/1998, consolidando o retorno da fase clássica da banda. O projeto gráfico seria totalmente original, mantendo a tradição de inovação da banda. Uma semana após o lançamento, em 01/10/1998, PSYCHO CIRCUS é agraciado com a mais alta posição em um lançamento do KISS nas paradas Billboard, atingindo terceiro lugar e vendendo quase cento e dez mil cópias. Este fato superaria o quarto lugar de LOVE GUN, mas infelizmente, mantendo a tradição dos anos 90, o álbum cairia nas paradas rapidamente a seguir. Em 28 de outubro de 1998, o álbum receberia RIAA Gold Certification, sendo o vigésimo terceiro álbum da banda a atingir tal fato, deixando apenas (MUSIC FROM) THE ELDER, GREATEST KISS e CARNIVAL OF SOULS sem tal certificação.

Na parte interna do cd simples brasileiro, a temática do circo bem estilizada que serviria para o tema dos shows da turnê.
Em 30 de outubro de 1998 a banda se encontra em preparativos finais para seu show de Halloween, ensaiando no Dodger Stadium a música Flaming Youth, que não era tocada há muito tempo. Apesar de ensaiada, a música não é incluída no show de 31/10/1998 (disponível no DVD Kissology Vol 3, disc 2 e 3), que contém no seu longo set-list vinte e duas músicas, entre elas, She, Nothin´to Lose e três novas canções de PSYCHO CIRCUS: Psycho Circus, Into The Void, e Within. Com mais pirotecnia, o show também inclui muitos efeitos especiais, principalmente em 3D e lasers, trazendo desta vez a indumentária característica da turnê do álbum DESTROYER. Ace Frehley recebeu da fabricante de guitarras Gibson em 1997 o seu próprio modelo, o Ace Frehley Signature Model Les Paul Guitars, que utilizaria desde então em todos os shows do KISS a partir desta turnê. Em 23/11/1998 You Wanted The Best é lançada como segundo single do novo álbum, substituindo a idéia original de lançar Within, devido ao seu maior apelo comercial. A turnê mundial começaria oficialmente em 12/11/1998 em Boston. Embora o set list não varie muito desde o show de Los Angeles, Makin Love é incluída e She e Nothin’ To Lose são descartadas. Desde o inicio fica claro que a nova turnê não conseguiria atingir o mesmo sucesso da anterior (Reunion Tour), com a venda de menos de vinte mil ingressos, dos vinte e cinco mil disponíveis em cada noite de Boston. Numa média, a primeira parte da turnê que se estendeu até o show de Nashville Arena em 02 de janeiro de 1999, vendeu aproximadamente setenta e cinco por cento dos ingressos disponíveis. Ainda em 11/01/1999 a banda participaria do American Music Awards como apresentadores do prêmio de melhor Pop/Rock álbum e a seguir se apresentaria ao vivo na mesma cerimônia com grande receptividade. No dia seguinte o vídeo Psycho Circus é certificado como Platina, pelas vendas de cinqüenta mil cópias, enquanto o longa em vídeo The Second Coming (abordado no post anterior) atinge Platina por cem mil cópias vendidas. Isto mostra que os vídeos da banda vendiam muito bem, embora os recentes álbuns não atingissem o desempenho esperado, principalmente em relação aos lançamentos antigos. Em 16 de janeiro, Gene Simmons apresenta numa convenção típica de artefatos de horror, na New York Fangoria Convention, um clip do fime Detroir Rock City, a ser lançado futuramente. Em 26 de janeiro a banda estaria apresentando o filme para executivos de TV. No fim de janeiro, a banda participa no show prévio ao jogo do Super Bowl, dublando uma versão de Rock And Roll All Nite, que foi gravada no soundcheck do show em Meadowlands em Dezembro. Com a banda preparada para a 2ª parte da turnê na Europa, em 23/02/99 há o lançamento de uma edição especial de PSYCHO CIRCUS, contendo um EP bônus com músicas ao vivo gravadas na turnê americana. As músicas do EP são Psycho Circus, Let Me Go Rock ‘N Roll, Into The Void (com solo de guitarra de Ace), Within (com solo de bateria de Peter), 100.000 Years, e Black Diamond. As faixas foram gravadas no ISA Hulman Center em Terre Haute, Indiana, em 12/12/1998 e no Market Square Arena em Indianapolis, Indiana em 13/12/1998. O lançamento desta edição especial gera reclamações dos fãs americanos que se vêem quase como que obrigados a adquirir uma nova cópia do álbum (em versão importada) para conseguir adquirir o EP bônus.

A capa do cd brasileiro com o EP ao vivo não mostra a simulação do efeito 3D.
Em 24/02/1999, a banda participa pela primeira vez do Grammy, com o vídeo “Psycho Circus” indicado para o prêmio “Best Hard Rock Performance”, perdendo o prêmio para os veteranos Page/Plant (“Most High”). A parte européia da turnê de PSYCHO CIRCUS se inicia em 26/02/1999 em Helsinki (Finlândia) e abrange vinte e dois shows, concluídos na Alemanha em 28/03/1999. Em 31/03/1999 uma turnê na Rússia é anunciada, mas acaba sendo cancelada devido aos sentimentos anti EUA na Rússia devidos a ação militar americana na Sérvia. Ainda na PSYCHO CIRCUS tour uma pequena turnê sul-americana é adicionada com o total de cinco shows iniciados na Argentina em 10/04/1999 e finalizando em 24/04/1999, na Cidade do México. Em particular podemos destacar que em 15 e 17/04/1999 o Kiss faz dois shows em nossas terras, tocando respectivamente em Porto Alegre para aproximadamente quarenta mil pessoas e a seguir em São Paulo para cinqüenta e três mil pessoas.

Os cds da edição dupla que contém o EP Bonus ao vivo.
Ainda em 1999 a banda apresentaria o filme Detroit Rock City, filmado principalmente no Cedarbrae Collegiate Institute em Scarborough, Ontário – Canada, e outras locações em também em Ontário. Em seu enredo, o filme mostra quatro adolescentes, que tocam numa banda cover do Kiss, tentando superar todas as dificuldades para ir a um concerto do Kiss em 1978, em Detroit. Na premiére do filme, o Kiss tocaria para duas mil pessoas no estacionamento da universidade UCLA em Los Angeles em 09/08/1999 (disponível no DVD Kissology Vol 3, Disc 3). O filme seria lançado em 13/08/1999 e venderia quase cinco milhões de dólares nas primeiras semanas de lançamento, e praticamente desapareceria um mês e meio após. Em termos de curiosidade, há certos erros cronológicos na época em que se passa o filme e as canções executadas. A músicas Makin It (David Naughton) e Highway to Hell (ACDC) somente seriam lançadas em 1979, embora o filme se passe em 1978. Também há o fato que durante a turnê Alive II, o Kiss nunca tocou no Cobo Hall Arena, conforme relata o filme. Para o áudio da cena final, onde a banda toca Detroit Rock City, o KISS se reuniu em estúdio e gravou uma nova versão da música. A banda voltaria a participar de shows apenas em 29/10/1999 no parque da MGM para um reduzido publico de mil pessoas e a seguir na batizada Psycho Circus Millennium Tour, em 31/12/1999, para um especial da véspera de virada do milênio, no BC Place Stadium em Vancouver no Canada, para vinte mil pessoas e em 03/01/2000 para oito mil pessoas no Sullivan Arena em Anchorage, Arkansas, EUA. Na trilha sonora do filme há uma inédita música da banda que fecha o álbum, composta por Diane Warren, uma conhecida “Hit Maker” por criar sucessos para artistas como Cher, Celine Dion, Toni Braxton, Aerosmith (“I Don´t Want To Miss a Thing”). Nesta música há as participações de Bruce Kulick no baixo e de Steve Ferrone na bateria e somente Paul Stanley da formação da banda. No mais, a lista de músicas desta trilha sonora mistura grandes clássicos dos anos 70, alguns revisitados por artistas contemporâneos, como se segue: The Boys Are Back in Town (Everclear), Shout It Out Loud (Kiss), Runnin’ With The Devil (Van Halen), Cat Scratch Fever (Pantera), Iron Man (Black Sabbath), Highway To Hell (Marilyn Manson), 20th Century Boy (Drain STH), Detroit Rock City (Kiss), Jailbreak (Thin Lizzy), Surrender (Cheap Trick), Rebel Rebel (David Bowie), Strutter ( The Donnas), School Days (The Runaways), Little Willy (Sweet) e Nothing Can Keep Me From You (Kiss).

O Cd brasileiro da trilha sonora do filme Detroit Rock City.
A seguir, o grupo anuncia ainda em 2000 que faria a sua turnê de despedida. A turnê KISS Farewell Tour se estenderia de 11/03/2000 a 13/04/2001, embora no fim de 2002 a própria banda anunciasse que não se aposentaria conforme anunciado anteriormente. Embora o Kiss continuasse a fazer shows após esta turnê, a KISS Farewell Tour marca o fato de ser a última até o presente momento com a formação original da banda. Nesta turnê a banda apresentaria como set-list uma mistura de várias fases da banda, algumas músicas da fase 80, como I Love It Loud, Heaven´s on Fire, I Still Love You (Paul Stanley – vocal e guitarra somente), Lick It Up e do recente álbum a faixa título Psycho Circus. Entre as novidades cênicas, a banda começa o show surgindo do alto, num gestual que lembra o utilizado na música Black Diamond, durante a longínqua “Animalize Tour”. A turnê se dividiria em cinco partes, sendo que as três primeiras seriam concertos exclusivamente nos Estados Unidos e Canadá. Está também disponível no DVD Kissology Vol. 3,Disc 3 uma parte do show do dia 27/06, em Nova Jersey. No último concerto do ano 2000, em 07 de outubro, Peter Criss sairia da banda, embora este fato não fosse divulgado na época. Após a finalização do seu contrato de reunião com a banda, não houve acordo para renovação do mesmo. Com planos para continuidade da Farewell Tour, na quarta e quinta parte da turnê, respectivamente no Japão (Março de 2001) e Austrália (Março e Abril de 2001), a banda readmite Eric Singer para seu retorno em substituição a Peter Criss e utilizando-se do personagem criado pelo próprio Peter (gato ou cat-man). Este fato causa revolta em grande parte dos fãs do Kiss em todo o mundo, que chegam a se manifestar contra a atitude antiética da banda. Embora tenha havido mais este fato polêmico, a turnê se mostra bem rentável, com grande parte de shows “sold-out” e mais de 75% de ingressos vendidos em boa parte dos restantes. A seguir a banda estaria planejando o lançamento de uma grande coletânea com boa parte material em versões preliminares inéditas e uma turnê que seria dividida com uma banda veterana oriunda dos anos 70, mas isso será assunto para o próximo post. Até 2a da semana que vem!
N.R: Com o retorno da formação original há uma mudança radical no estilo do álbum novo, principalmente se olharmos para os dois anteriores de inéditas. Achamos que PSYCHO CIRCUS é um álbum razoável, contendo boas músicas e outras nem tanto. Em termos de foco comercial, o álbum é bem ajustado, trazendo a temática de um circo, o que norteia a produção do show, devido à característica especifica para seu tema. Além da faixa título, a música Raise Your Glasses é direcionada para funcionar com os efeitos em 3D que aparecem tanto na capa, quanto no show (embora nunca tenha sido tocada até hoje ao vivo) o que mostra que a banda estava sempre pensando em inovar, pelo menos visualmente. Em termos musicais, acreditamos que PSYCHO CIRCUS tenta se enquadrar ao estilo de DESTROYER, mas não atinge o seu nível de qualidade. Isto fica mais claro ao observarmos que Bob Ezrin era o produtor escolhido inicialmente para o álbum e mesmo não tendo participado desta forma, acaba contribuindo para o álbum, tocando e sendo co-autor na balada de Peter, que visivelmente tenta se enquadrar na fórmula de Beth. Dessa vez o tiro não acerta o alvo – a música não se sobressai no álbum. O fato dos membros originais aparecerem na capa, mas nem todos participarem ativamente do álbum, acaba trazendo um ar meio artificial, não nos parecendo como um álbum “de banda”, mas sim um apanhado de canções, numa produção focada em criar um sucesso comercial. O relacionamento com Bruce Fairbairn (que faleceu em maio de 1999, de causas desconhecidas) também não é dos mais amenos (em especial com Paul Stanley) e pode ter atrapalhado o andamento das gravações, já que em uma das últimas faixas a serem gravadas, I Pledge Allegiance to the State of Rock & Roll, o produtor nem sequer participou, deixando todo o trabalho a cargo de Paul Stanley e Mike Plotnikoff. Como destaques do álbum, colocamos a ótima faixa título, também a pesada Within (que se enquadra na fórmula God Of Thunder), Dreamin´ (bem calcada em I´m Eighteen de Alice Cooper – o que causou até um processo por plágio para a banda) e Journey of a 1,000 Years, que contém um interessante arranjo de cordas baseado na melodia da faixa de abertura. Into The Void é uma música que se encaixaria melhor em um álbum solo de Ace do que propriamente num álbum do Kiss. As outras não nos chamam atenção, apesar do sucesso comercial de You Wanted The Best e We Are One (no Brasil, muito executada nas Radios FMs – na época do show). A versão de PSYCHO CIRCUS com um EP ao vivo é sem dúvida melhor musicalmente, embora não tenha a capa 3D da original. As músicas ao vivo incluídas no EP são bem escolhidas e bem executadas, em especial Psycho Circus, Let Me Go Rock ‘N Roll e 100.000 years. Já a versão “live” de Within’ peca principalmente pelo andamento na parte instrumental no meio da canção, já que Peter Criss não executa o trabalho de bateria original, a cargo de Kevin Valentine.

A lista de canções da interessante edição bônus EP
O filme Detroit Rock City é diversão garantida como um passatempo, sem maiores compromissos. Uma grande vantagem deste filme é que os membros da banda desta vez não participam como atores, fazendo somente o que sabem mais, que é tocar em uma parte do filme. Sobre a trilha sonora, é uma mistura de clássicos dos anos setenta e covers da mesma época, algumas boas e outras nem tanto como Highway To Hell. As músicas do álbum que já eram consagradas do Kiss não são novidade para um fã da banda e a versão de Detroit Rock City aqui incluída é a mesma do DOUBLE PLATINUM – seria bem melhor se usassem a versão especialmente gravada para o filme. A inédita Nothing Can Keep Me From You soa como uma descarada tentativa de recriar as famosas baladas do Aerosmith nos anos noventa, em especial a citada I Don´t Want to Miss a Thing, não deixando, porém, de ser uma boa balada
Em relação ao show da fria São Paulo de 1999, lembramos de desta vez, ter ido de carro do Rio de Janeiro a São Paulo, nos encontrarmos com o Rolfístico Personagem e alguns amigos paulistas já na terra da garoa, para a ida ao autódromo. Lembramos também de haver uma boa quantidade de presentes, num engarrafamento tipicamente paulista tanto para a entrada, quanto para a saída do show. Ter visto pela primeira vez o Kiss em formação original e com máscaras era dos pontos mais interessantes do show. Os efeitos e o tal óculos em 3D ajudaram o espetáculo visual e de pirotecnia. Em termos musicais, continuamos achando o no Pacaembu de 1994 muito superior, até pela qualidade dos músicos da formação e set-list do Monsters of Rock. Havia muita gente que pouco conhecia a banda e após a abertura com Psycho Circus, ficou “boiando” em boa parte do show. Cabe ressaltar que o Kiss caprichou na produção do show paulista, trazendo toda a parafernália, que incluía os solos de guitarra pegando fogo, o vôo de Gene no solo de baixo, a bateria levitando em plataforma durante o solo de Peter e a tirolesa que trazia Paul Stanley mais próximo da platéia em Love Gun. Um show inesquecível de uma banda que nunca brincou em serviço.
Por fim, verificamos que o retorno da formação original não durou muito, e apesar do aspecto financeiramente compensador, Eric Singer retorna para banda menos de cinco anos depois da bombástica Reunion Tour. Ter Eric Singer “vestido” de gato, para nós, é mais uma das atitudes antiéticas da banda para não mudar a fórmula visual e consagrada de sucesso. O normal e mais justo era vir com um novo personagem, assim como fizeram Eric Carr e Vinnie Vincent no início da década de 80, mas talvez isso fosse arriscar demais. Musicalmente a entrada de Singer acrescenta grandemente em força e técnica conforme pudemos comprovar em uma gravação em vídeo não oficial de um dos shows na Austrália. Se a tão divulgada Farewell Tour (turnê de despedida) não passou de uma jogada de marketing, novamente ganhamos com a manutenção da banda na ativa. A seguir teríamos anos sem novos lançamentos inéditos, apenas coletâneas e registros em vídeo e em CDs dos projetos ao vivo. Na semana que vem contaremos mais detalhes desta história.
Flávio Remote e Alexandre Bside
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