Megadeth: Dave Mustaine anuncia nova passagem pela América do Sul em abril/2010

•Thursday, February 4th, 2010 • 6 Comments

Pessoal,

ontem, Dave Mustaine, no fórum oficial do Megadeth e depois devidamente espalhado pela internet, comentou alguns dos planos da banda para o ano e, no meio da declaração, abordou a intenção da banda passar novamente pela América do Sul em meados de abril/2010 – portanto, Brasil / São Paulo, como de costume, devem ser pontos de parada para os caras.

Além disso, como vocês devem saber, a banda anda comemorando os 20 anos de lançamento do Rust In Peace (que entrará nesta segunda década de vida mais para o final de 2010) tocando-o na íntegra em algumas oportunidades. Tal possibilidade de ouvi-lo por completo em outros países não está totalmente descartada.

O Megaman

O Megaman

Agora é esperarmos por datas, preços, locais, ou seja, o de sempre.

[ ] ‘ s,

Eduardo.

Cobertura MHM World Magnetic Tour – Setlists Porto Alegre e São Paulo – análises

•Thursday, February 4th, 2010 • 25 Comments

Galera,

hoje em dia, com a internet, é muito mais fácil e, dependendo da fonte, muito mais confiável achar fotos, vídeos, áudio e setlists de cada show por aí. Mas o que vemos por aí é apenas um flood de informação, normalmente feitas por pessoas generalistas (jornalistas), que não possuem, claro, skill técnico para determinadas análises.

Bom, é exatamente nesse gap que entra o Minuto HM, com seu propósito diferente dos portais de notícias, para dar uma força… afinal, o que pretendo fazer abaixo, apesar de não ser tão difícil do ponto de vista “operacional”, não se acha na rede…

Antes de mais nada, vamos colocar os 3 setlists dos shows do MetallicA no país e analisarmos:

  1. Setlists das noites (dãã);
  2. Músicas que se repetiram em 2 noites;
  3. Músicas que se repetiram nas 3 noites;
  4. Músicas que foram “exclusivas” para cada noite.

Então vamos lá:

Setlist MetallicA - Porto Alegre - 28/janeiro/2010

Setlist MetallicA - Porto Alegre - 28/janeiro/2010 - e informações gerais para a banda: playbacks, intervalos, ações que devem ser tomadas, onde vai ter pirotecnia...

1. Setlists das noites:

Lado a lado, os setlists das 3 noites no Brasil

Lado a lado, os setlists das 3 noites no Brasil

Cada noite contou com 18 músicas (sem contar o playback da abertura com a já clássica “The Ecstasy Of Gold”). No total, então, o Brasil ouviu 54 execuções de músicas dos “King Of The Road”, sendo que, deste número, o total de músicas sem repetição é 31, número este que será usado na análise abaixo.

2. Músicas que se repetiram em 2 noites:

Das 31 músicas, 5 delas se repetiram em duas noites no país (sendo 16% deste total):

  • For Whom The Bell Tools
  • Ride The Lightning
  • Fade To Black
  • The Day That Never Comes
  • Cyanide
Músicas que o MetallicA tocou em 2 das 3 noites no Brasil

Músicas que o MetallicA tocou em 2 das 3 noites no Brasil

Tal análise ajuda a confirmar o que chamo de “redescobrimento” da banda com o disco Ride The Lightning (além de, obviamente, a execução das músicas do mais recente trabalho, Death Magnetic).

3. Músicas que se repetiram nas 3 noites:

Esta análise mostra as músicas que a banda está usando praticamente de forma fixa desde o início da World Magnetic Tour e, basicamente, são aquelas músicas “ganha-pão”, como qualquer banda faz ao-vivo, além das faixas baseadas exclusivamente no Death Magnetic.

Clássicos antigos + músicas do Death Magnetic executadas nas 3 noites no país

Clássicos antigos + músicas do Death Magnetic executadas nas 3 noites no país

Assim, das 31 músicas das 3 noites, 9 delas (em torno de 29%) foram executadas nos 3 shows:

  • Creeping Death
  • That Was Just Your Life
  • The End Of The Line
  • Sad But True
  • One
  • Master Of Puppets
  • Nothing Else Matters
  • Enter Sandman
  • Seek And Destroy

O que se vê, então, é que a banda está usando os aclamamos 5 primeiros discos todas as noites, tocando pelo menos 1 música de cada. O Black Album se destaca com 3 músicas (Enter Sandman, Sad But True e Nothing Else Matters), como sempre desde o lançamento deste sucesso absoluto da indústria musical.

Outra coisa que pode ser vista através desta tabela é que a banda, apesar da variação dos sets, tem sim uma determinada “ordem” para executar as músicas, digamos, “fixas” do set – a inclusão de Creeping Death como fixa no set para abertura dos shows é algo que passou a ser usado pela banda na perna 2010 da turnê, visto que nos shows do ano passado, a banda estava abrindo os espetáculos com as duas primeiras músicas do Death Magnetic (dobradinha That Was Just Your Life e The End Of The Line). A dobradinha foi mantida, porém reposicionada para o meio da noite.

A exceção fica por conta da antecipação de Sad But True mais para o início da noite no terceiro e último show da banda no país, algo que rapidamente percebi durante o show e que ficou na minha cabeça para comentar por aqui.

4. Músicas que foram “exclusivas” para cada noite:

Ahhhh… a exclusividade… aqui a análise e motivo principal para o Minuto HM ter uma categoria chamada “cada show é um show“, e não apenas “shows”… aqui o motivo pelo qual viajar para ver os shows, claro, sempre que possível, justifica os caros Reais investidos… com vocês, as músicas da World Magnetic Tour que foram executadas no país apenas uma vez:

Cada show é um show: as músicas que não se repetiram no Brasil

Cada show é um show: as músicas que não se repetiram no Brasil

Do maravilhoso quadro acima, podemos tirar diversas conclusões… basicamente então: das 31 músicas, 17 delas só foram vistas em sua totalidade por quem acompanhou os 3 shows da banda no país. O número, amigos, é expressivo, em minha opinião: 55% do total de músicas foi exclusivo (Marcus, taí, é nóis).

  • The Memory Remains (com este post, esta é exatamente a ideia :-) )
  • Battery
  • Die, Die My Darling
  • Phantom Lord
  • The Four Horsemen
  • Harvester Of Sorrow
  • Broken, Beat & Scarred
  • Blackened
  • Stone Cold Crazy
  • Motorbreath
  • Fuel
  • The Unforgiven
  • Welcome Home (Sanitarium)
  • My Apocalypse
  • Fight Fire With Fire
  • Helpless
  • Hit The Lights

Como era de se esperar, as noites paulistas foram as mais, digamos, privilegiadas na questão da exclusividade – afinal e claro, foram duas noites em São Paulo. Outra coisa mais óbvia era a variação dos 3 covers, sendo que Die, Die My Darling já havia sido tocado em São Paulo em 1999 (outras músicas da banda também foram, mas… So What?). Agora, Helpless foi uma agradável surpresa e com teor ainda mais exclusivo (ainda que não tocada por inteira), visto que a banda costuma tocar mais frequentemente outras músicas nesta parte do set, como, por exemplo, Am I Evil? (Yes, I am).

Agora vamos às exclusividades brasileiras que arrasam, no bom sentido, o coração metálico… ver músicas como:

  • a “sai-de-baixo” Battery
  • Phantom Lord (não tenho palavras para este poderoso e inesperado som)
  • a “nunca-deveria-sair-do-set” The Four Horsemen
  • a contagiante Harvester Of Sorrow
  • a “realizei-meu-sonho” Blackened
  • Motorbreath (simplesmente “how I live my life”)
  • a “realizei-meu-sonho: parte 2″ The Unforgiven
  • a “mata-a-pau” Welcome Home (Sanitarium)
  • a grande surpresa do Death Magnetic, claramente algo inesquecível e raro, a My Apocalypse (apesar de não termos visto as excelentes All Nightmare Long e The Judas Kiss em nenhuma noite em terra tupiniquins)
  • a “arranca-toco” Fight Fire With Fire e, finalmente,
  • a primeira das primeiras, a música 1 do disco 1, a que saiu primeiro via Metal Massacre (música 9 daquele disco de 1982, e do seu relançamento em 1984, já com o “Mettallica” devidamente corrigido), a que representa muito bem o thrash metal, Hit The Lights.

Outras duas músicas que não vem sendo executadas na turnê, do disco Reload, foram executadas: Fuel e The Memory Remains, as duas primeiras do disco, foram cantadas de forma contagiante em suas respectivas noites.

Ainda, o único disco * que a banda não usou (e nem vem usando) músicas é o Load.

* OK, do St. Anger também. Alguém quer alguma? Pois é, eu já sabia.

Galera, é bom demais ver o que o MetallicA apresentou para nós, brasileiros. Foram 3 noites mágicas e inesquecíveis que, infelizmente, deverão demorar a se repetir, se é que acontecerão (ainda mais com determinadas músicas que vimos acima).

Obrigado, MetallicA.

[ ] ‘ s,

Eduardo.

Obs.: obrigado ao Marcus Batera pela revisão final dos números.

Edições Deluxe-Expanded para clássicos da “Era Dio” no Black Sabbath

•Thursday, February 4th, 2010 • Leave a Comment

Pessoal,

a Universal Music anunciou para o 05/abril/2010 o lançamento de edições de luxo para 3 álbuns da “Era Dio” no Sabbath, a saber: “Heaven And Hell”(1980), “Mob Rules” (1981) e “Live Evil” (1982), conforme abaixo:

Heaven And Hell

Disco Um:

01. Neon Knights
02. Children Of The Sea
03. Lady Evil
04. Heaven And Hell
05. Wishing Well
06. Die Young
07. Walk Away
08. Lonely Is The Word

Disco Dois:

01. Children Of The Sea (Live)
02. Heaven And Hell (Live)
03. Lady Evil (Mono Edit)
04. Neon Knights (Video – Live)
05. Die Young (Video – Live)
06. Neon Knights (Live, Hartford, CT, USA, ‘80)
07. Children Of The Sea (Live, Hartford, CT, USA ‘80)
08. Heaven And Hell (Live, Hartford, CT, USA ‘80)
09. Die Young (Live, Hartford, CT, USA ‘80)

Mob Rules
Disco Um:

01. Turn Up The Night
02. Voodoo
03. The Sign Of The Southern Cross
04. E5150
05. The Mob Rules
06. Country Girl
07. Slipping Away
08. Falling Off The Edge Of The World
09. Over And Over

Bonus Tracks:

10. Die Young (Live – 12″ version)
11. The Mob Rules (Alternative Version)

Disco Dois:

01. E5150 (Live)
02. Neon Knights (Live)
03. N.I.B. (Live)
04. Children Of The Sea (Live)
05. Country Girl (Live)
06. Black Sabbath (Live)
07. War Pigs (Live)
08. Slipping Away (Live)
09. Iron Man (Live)
10. The Mob Rules (Live)
11. Heaven And Hell (Live)
12. Paranoid (Live)
13. Voodoo (Live)
14. Children Of The Grave (Live)

Live Evil
Disco Um:

01. E5150
02. Neon Knights
03. N.I.B.
04. Children Of The Sea
05. Voodoo
06. Black Sabbath
07. War Pigs
08. Iron Man

Disco Dois:

01. The Mob Rules
02. Heaven And Hell
03. The Sign Of The Southern CrossHeaven And Hell (continued)
04. Paranoid
05. Children Of The Grave
06. Fluff

Neste relançamento, a interação de Dio e as respostas do público parecem ter sido restauradas, segundo esta fonte (não entendi o lance do * de lá – não achei nada com * nas músicas…). E, para quem nunca ouviu Dio cantando músicas da era Ozzy, estas serão mais opções disponíveis.

Relançamentos remasterizados do Sabbath, mas aí com Ozzy nos vocais, foram colocados no mercado no ano passado, conforme vimos por aqui no Minuto HM.

[ ] ‘ s,

Eduardo.

Momento papo-cabeça -> reflexão/desabafo: shows = moda = público não conhece nem os clássicos

•Tuesday, February 2nd, 2010 • 15 Comments

Galera, este post vai ter um “tom” um pouco diferente dos demais do blog do Minuto HM, mas acho necessário e cabível após tantos e tantos anos de estrada, shows e viagens que não só eu, mas tenho certeza que vocês também estão acostumados.

Como vocês sabem, quero fazer o review dos 3 shows do MetallicA no país aqui, no blog. Por motivo de incompatibilidade de agenda com Marcus Batera, infelizmente, fica difícil nos juntarmos, de cabeça fria, para escrevermos, então combinei com ele que vou mandar bala por aqui e ele me corrige, completa ou comenta logo após.

Senti necessidade de fazer este post quando iniciei minha reflexão sobre os shows do MetallicA, sobre o que vi e senti da galera, tanto em Porto Alegre quanto em São Paulo. Mas, de longe, isso que vou falar é uma novidade ou não acontece em TODOS os shows que pude ir.

Sim, em todos os shows. O breakthrough mais intenso que vimos foi quando a banda U2 anunciou seu show no país (o último dos caras, em 2006). O que houve? O Brasil, que já era considerado um novo e formidável nicho para os promotores de show, se tornou uma das melhores, se não for a melhor, opção para shows no planeta. Mas, por quê? Porque o país cresceu muito, economicamente falando. Muitas pessoas pelo Brasil melhoraram de vida, subiram uma classe inclusive. Na real, aquele “papinho” de “não tenho dinheiro para nada” começou a virar uma tendência ainda maior, visto que, como se diz no popular, quanto mais se tem $$$, mais pão-duro você vira.

Pois é. Voltando ao assunto principal, basta fazer uma rápida análise de preços de shows. Claro que houve mudança na questão da nossa moeda (URV, Real e inflação e tudo mais, eu entendo e considero isso, mas vamos lá):

- 1993: Paul McCartney (sim, um BEATLE), um monstro, um cara sem igual, um ícone, um SIR, toca para um Pacaembu abarrotado. O preço da pista OU arquibancada naquela oportunidade? USD 5,00. Isso mesmo, caro amigo, CINCO DÓLARES. Repetindo: cinco doletas para ver um Paul McCartney e cantar Drive My Car, Hey Jude e tantos outros clássicos absolutos que até seu cachorro fica feliz.

BIG JUMP…

- 1999: Kiss (isso, o KISS, aquela “bandinha” que traz um showzinho meia-boca, sem explosões, sem tecnologia alguma). O Kiss em Interlagos foi o show mais caro da época que se via por aqui. Eu paguei, chorando e me estrupiando todo, R$ 25,00 a meia. Ainda tivemos neste intervalo o MetallicA e o Bruce Dickinson. Lembro que, na época, fui tachado de maluco por ir aos 3 shows e “gastar” em torno de R$ 55,00 para ver os 3 shows… na época, duro de verdade como era, tive de pedir adiantamento de salário e dinheiro emprestado para poder ver os 3 shows do ano. E o do Bruce, que gerou o Scream For Me Brazil, eu só vi o que ficou conhecido como “o show do domingo”, pois o show “original”, de quarta, teve problemas para a gravação no Via Funchal, e este eu nem tinha como ter comprado os ingressos. O show de domingo foi comprado no dia anterior, quando sai pedindo dinheiro por aí…

Pearl Jam. Independente do gosto ou não da galera, uma mega banda, que eu particularmente gosto. Já estamos em dez/2005. O preço da pista, inteira? R$ 120,00, para o show no Pacaembu.

Tive que contextualizar o lance do dinheiro para poder justificar meu raciocínio que virá a seguir.

O que citei acima são apenas exemplos mesmo, claro que tivemos diversos outros shows e festivais nos anos 90 e 00. Mas 2006 realmente foi o ano da mudança.

Os show começaram a ficar mais caros mesmo. Até aí, eram caros, mas sempre achei justo. Aí veio o U2. Muita propaganda, muita badalação, claro, é uma das bandas mais conhecidas e ricas da história da música. E, lógico, um enorme arsenal tecnológico. Tudo isso acompanhado de um preço, na época, inimaginável de R$ 300 para assistir na pista os caras. Até então, R$ 300 era realmente algo impossível para se pagar por um show na pista, no “povão”.

Aí veio aquela loucura para a compra dos ingressos. Logo, pensei duas coisas:

- bom, é o U2, banda cheia de “simpatizantes” (porque o U2 tem fás sim, mas não tantos como simpatizantes – diferente da maioria das outras bandas), um grande show, etc.

- o povo está com dinheiro fácil, hein?

O que estamos vendo e “pagando”, literalmente, ao longo destes anos, é o efeito U2. A insanidade que foi comprar aqueles ingressos raramente foi vista em outras oportunidades no país, ainda mais se considerarmos o preço. E olha que estamos falando de 2 datas. Para comprar meu ingresso, mais até pela minha “namorada” (hoje, esposa), tive que sair no meio da tarde do trabalho, ir ao Pacaembu com um amigo, o Clóvis, e comprar. Telefone, internet, nada dava certo. Tudo “esgotado”.

Criou-se, aí, um cenário que hoje é normal para shows: uma loucura para comprar ingressos, até mesmo de shows de bandas nada pop. Os ingressos, já no efeito U2, começaram a se popularizar na casa dos R$ 200, R$ 300 e sempre se esgotavam. De repente, era lote extra (???) daqui, dali, e novo sold out. Não dava para entender.

O efeito U2 ainda é sentido. A máquina do marketing está a todo vapor até hoje. Fizeram o povo ter a NECESSIDADE de ir a shows por uma questão de moda, para “não ficar de fora”. Hoje, ter um ingresso para show, FALAR que foi à determinado show virou moda. O efeito U2 fez com que passássemos a ver mais mulheres em shows até mesmo de metal puro, embebedado da fonte ou colhido no pé, como Judas Priest, ou até de estilos bem, digamos, exclusivos, como Dream Theater.  Mulheres sim, não as tradicionais “metaleiras horrendas”. Mulheres de salto alto (!!!), maquiagem e bolsinha pendurada.

Pronto! Aí está o cenário de shows atuais. Um bando de gente mais favorecida ($$$), principalmente na pista VIP (lugar que eu adoro para ver shows por uma questão de ter mais tranquilidade e, claro, da proximidade com os artistas).

E o que houve com tudo isso? Claro, este novo mercado de shows trouxe um público totalmente LEIGO para os eventos. Não estou aqui dizendo que sou o maior conhecedor de música do mundo, até porque acho que já ficou bem claro aqui mesmo no blog que temos monstros como o Rolf, Caio, Marcus Batera, BSide e Remote, apenas para citar alguns, que sim, são enciclopédias musicais.

Estou falando de pessoas que estão lá realmente por estar, apenas para poder falar “sim, eu fui no show do MetallicA, do Maiden, de quem quer que seja”.

E essa é a nossa nova molecada. A molecada de hoje tem internet, tem muito, mas infinitamente MUITO mais acesso que a molecada dos anos 90. Exponencialmente, dos anos 80, 70, 60. E isso é bom? Não vem se mostrando.

A molecada de hoje quer ir ao show e, se puder ficar na grade, ou perto, é melhor ainda para falar. Peraí, isso sempre existiu no rock e metal, principalmente. Sim, sempre, mas qual era o motivo disso tudo? Pô, realmente, eram porque somos LOUCOS por determinado artista. REALMENTE somos apaixonados, aficcionados, fanáticos, você escolhe o adjetivo.

Hoje, não mais, pelo menos pelo que estou vendo, e posso falar também, por exemplo, pelo Marcus Batera. O que vimos no show do Twisted Sister foi uma das mais agradáveis exceções em relação a um show atual: um Via Funchal lotado de gente cantando as músicas do Stay Hungry e mesmo músicas não tão pop. E foi só.

Chegamos ao MetallicA 2010. Marcus e eu fomos nos 3 shows do país na pista VIP. Afinal, trata-se da banda que mais amamos na música – nunca consigo e não gosto de comparar a banda com minha paixão do Maiden – são como 2 filhos gémeos para mim – as duas têm a devida importância e meu amor – e sempre destaquei isso.

Há shows e shows – cada show é um show. Assistir a diversas bandas é sempre ótimo, é o “chamado”, é a “convocação”, como nosso amigo Rolf ensina com toda a razão. Mas shows de bandas do porte e qualidade do Kiss, MetallicA, Iron Maiden, Heaven & Hell, etc, é algo ainda maior. Afinal, para poder realmente entender de metal, certas bandas são pré-requisitos. Não é necessário gostar, mas é necessário conhecer. E todas as bandas deste porte merecem o devido respeito pelo que fizeram e fazer pela música.

Portanto, assistir a um show do MetallicA é ter a certeza de que a galera, a “família do metal”, vai realmente saber o que está acontecendo. Não estou aqui cobrando ficar cantando (ou cantando “certo” – ainda mais se tratando do inglês dificílimo das letras destas bandas), pulando ou ficando maluco. Estou falando de ir a um show com um mínimo de apreciação pelo TRABALHO COMO UM TODO da banda. E, de novo, não estou falando somente de um disco ou de uma música, mas do todo.

E o todo sempre foi algo questionável para o MetallicA. O que canso de ouvir na minha vida quando falo MetallicA é: “até o disco preto” ou “até o …And Justice For All”. Muitos realmente dizem isso por saberem o que estão falando, outros, porque “virou moda, todo mundo fala isso”.

Não vou entrar aqui na discussão do Load, Reload, St. Anger ou mesmo do novo e aclamado Death Magnetic. Vou falar o que houve, já dando início aos reviews dos shows do MetallicA.

Vimos um MetallicA tocando MUITAS músicas dos 5 primeiros discos. Sim, da “única fase que presta da banda”, como diriam alguns. Quando digo “MUITAS” músicas, leia-se A MAIORIA.

E o que Marcus Batera e eu constatamos? Que, infelizmente, aquela molecada que empurra, que xinga, que quer ficar na grade, que fica 3 dias na fila do show, hoje é outra. É uma galerinha fraquinha em termos de conhecimento da banda. E de novo: por mais que isso não seja muita novidade, é inegável como se intensificou – e os motivos são os expostos acima: a vontade de ir a um show para dizer para todos “eu fui” – e dá-lhe camiseta “eu fui” por aí, desde sua “criação”, pelo que lembro, no Rock In Rio 3, em 2001.

“Eu fui” fazer o quê no show do MetallicA? Ficar cantando ENTER SANDMAN, apenas? Não me entendam mal: Enter Sandman é um clássico absoluto, grande música, eu adoro desde sempre e acho fundamental em um show. Mas muito do que vimos foi isso. A galera se matando para que? Somente Enter Sandman?

O MetallicA tocou, no Brasil, muitas músicas diferentes, inclusive do Kill ‘Em All, disco tão falado por aí que estava meio abandonado por eles. Em POA, foi Phantom Lord. Em São Paulo, vimos Motorbreath e Hit The Lights, cada uma em um dos shows antes do fechamento com Seek And Destroy (ia), outra do mesmo disco.

E estas músicas mais antigas foram POUCO CANTADAS pelo público. O que mais vimos, Marcus e eu, foi a galera literalmente sem entender o que estava acontecendo enquanto o MetallicA despejava sonhos como Blackened, Harvester Of Sorrow, Welcome Home (Sanitarium), entre outras. E as músicas do disco novo, já não tão novo assim, como Cyanide, That Was Just Your Life e The End Of The Line, também pouco cantadas. My Apocalypse então, no último dia, nem sem fala…

Ficam aqui, então, alguns recados para esta galera:

- NUNCA MAIS reclamem do que não conhecem. Falar é fácil, vestir camiseta preta é fácil, ir a shows basta ter dinheiro, hoje em dia. NUNCA MAIS falem do MetallicA estar vendido, não tocar coisas do Ride The Lightning fora Creeping Death e For Whom The Bell Tools, sem saber o que são as outras músicas de verdade. Conhecer MetallicA é uma arte – no Master Of Puppets, por exemplo, não existe só a faixa título. Sério mesmo. Ah, só para ficar bem claro: nem de longe quero dizer que não se pode curtir os clássicos mais do que outras músicas, hein? Cada um curte o que quer. Mas como tem gente que vai pensar isso, então já me adiantei…

- Não sejam trouxas: vocês não ganham o respeito e admiração dos fás de verdade só por terem ficado na grade de um show, ou mesmo terem ido ao espetáculo. Se vocês buscam um mínimo de respeito, façam a lição de casa de verdade, e conheçam o que estão falando. Não estou aqui falando “sejam nerdes ou sejam profissionais da música”. Aqui no blog, ninguém é profissional, e mesmo assim, tenho certeza que é muito melhor que a mídia dita “especializada por aí”. Vide exemplo de ontem: Rolling Stone fazendo RT no twitter de um review do show do MetallicA de um cara “entendido” que nem o nome da música “The Frayed Ends Of Sanity” saiu certo: virou “Insanity”. Créditos que recebi por corrigir o artigo? NADA, nem uma simples menção.

- Não escutem um disco e falem que é um lixo na primeira ouvida. Cansei de “evangelizar” pessoas que ouviram 30 segundos do Death Magnetic e o acharam ruim. Cansei de falar para todos: “este, diferente do St. Anger, é um grande disco mesmo, dê tempo ao tempo”. Acredito que diversos amigos podem confirmar isso.

- Se vão a um show ficar malucos, que fiquem malucos de verdade. Deixem as emoções verdadeiras fluírem. Não adianta empurrar, ser alto e forte, sem saber o que estão fazendo de verdade. Aprendam a curtir um show de verdade. Shows de rock e metal nos fazem ficar mais jovens, mais felizes, balançar o corpo e a cabeça, mas isso é “automático” e verdadeiro – não é forçado. Se você não se sente assim, não atrapalhe os fás de verdade, e não “faça por fazer”.

- Garotada: não se matem “à toa” na grade da pista normal. Isso não significa, muito menos, “valorizar” o dinheiro do show. A grade do show agora é na pista VIP. Para ficar lá, entenda e sinta o motivo. Se não for apaixonado por isso, se não for apaixonado pela banda, não se machuque e prejudique os verdadeiros fás. Você não é fã de todas as bandas que assiste ao vivo, entenda isso – é normal! Assistam ao show um pouco mais de longe – tenho certeza que, no fundo, vocês gostarão mais. Se for para ficar na grade, não reclamem, não machuquem aos outros. E meninas: grade é ainda mais difícil para vocês. Vocês, ainda mais, devem refletir se tudo aquilo vale MESMO a pena. Se valer, façam. Se não valer, não façam isso pela moda, pelos outros ou por qualquer outro motivo.

Não acho que todos devem concordar 100% com o que escrevi aqui. Isso é uma reflexão do que pude ver ao longo dos últimos anos, principalmente os últimos quatro anos. Mas contra certos fatos, não há argumentos. Também não posso deixar de destacar e prestigiar certas pessoas, como idosos (mesmo) e pessoas com deficiência – em cadeiras de roda, engessados, enfim, que prestigiam shows de metal. Dou crédito pois, mesmo com mais dificuldades do que o normal, as pessoas dão seu melhor para estarem lá. E não se enganem: só mesmo no metal isso acontece de forma verdadeiramente apaixonada.

Obrigado, MetallicA, pelas 3 noites inesquecíveis. Obrigado por, de forma brilhante, terem executado alguns dos maiores clássicos da história da música, variando noite a noite. Welcome Home para vocês… meu perdão por 2003 está oficialmente dado aqui. O amor está ainda mais forte do que sempre foi.

E produtores de show: o Brasil está melhor sim, mas isso não significa que nossos problemas financeiros estão resolvidos. Em São Paulo, vocês tiveram o sábado com um Morumbi incrível, super lotado, lindo. Mas e o domingo? Vocês acham mesmo que não há fás do MetallicA para 2 dias lotados? Que não houve demanda? Não era melhor ter 2 dias lotados por, por exemplo, R$ 200 cada dia, ao invés de R$ 500? Revejam isso – de grão em grão, a galinha enche o papo…

[ ] ‘ s,

Eduardo.

Minuto HM: superamos a marca dos 50.000 hits!

•Monday, February 1st, 2010 • Leave a Comment

Fala, galera,

bom, “falar” é uma coisa que hoje eu não fiz quase nada, pois estou com 1% da minha voz disponível. Obrigado, MetallicA (e sim, reviews dos 3 shows virão durante esta semana e a próxima, me aguardem).

Mas o motivo deste rápido post é comemorar com vocês mais uma grande marca do blog: hoje, passamos dos 50.000 acessos ao site, seja de forma direta, na home page, seja através de algum link direto digitado no navegador ou que o Google ou outros buscadores indexaram!

Blog Stats Summary Tables

Total views:50,033

Busiest day:437 — Wednesday, January 27, 2010

Muito acima do esperado: mais de 50.000 hits em menos de 11 meses

Muito acima do esperado: mais de 50.000 hits em menos de 11 meses

O blog completará seu primeiro ano de vida no mês que vem, dia 25. Pretendo fazer um sumário dos principais indicadores do site quando ele completar este aniversário.

Por fim, não posso deixar de agradecer a todos pela amizade e presença frequente neste nosso espaço virtual – o que já reunimos aqui, de forma organizada, é impressionante – talvez não pela quantidade, como os portais, mas sim pela altíssima qualidade, muito melhor que a mídia “especializada” por aí.

BTW, hoje mesmo respondi à um twitter da@ rollingstoneBR  que errou um nome de uma música do MetallicA de forma bem, digamos, feia – afinal, a música é The Frayed Ends Of InSanity … (RT @rollingstoneBR: Saiba como foi show do Metallica no domingo, 30, por @pablomiyazawa; http://tinyurl.com/yljeo2x)

Por isso que eu sou mais Minuto HM…

[ ] ‘ s,

Eduardo.

Cobertura MHM World Magnetic Tour – POA 4

•Thursday, January 28th, 2010 • 3 Comments

Chove em Porto Alegre, estragando um pouco o passeio.

Estamos quase chegando na Hidráulica lá no Moinhos de Vento.

De lá, vamos voltar para nos preparar para o show.

Aqui uma foto para entrar no clima. Em São Paulo, cartazes assim e outdoors estão proibidos…

[ ] ’s,

Eduardo e Marcus.

Cobertura MHM World Magnetic Tour – POA 3

•Thursday, January 28th, 2010 • Leave a Comment

Salve, galera.

Marcus Batera e eu, Eduardo, fomos ao Dublin Irish Pub ontem ao chegarmos na capital gaúcha.

Hoje pela manhã, fizemos um city tour naquele ônibus de 2 andares, seguindo o roteiro da Zona Sul. Foi sensacional o passeio, pudemos ver muitos pontos turísticos da cidade.

Neste exato momento, estamos no Mercadão Municipal, onde nos acabamos com uma bela picanha gaúcha. O mercado é bonito e aproveitei para comprar umas especiariais para chimarrão.

Saboreamos o refrigente Teem, da PepsiCo. Alguém conhece por aí?

Vamos agora dar uma volta pelo centro da cidade antes de irmos para o show. Como sempre, São Pedro promete água para cá, portanto. o celular deve ficar em casa. Infelizmente.

Até o próximo post.

Eduardo e Marcus.

Cobertura MHM World Magnetic Tour -POA 2

•Wednesday, January 27th, 2010 • Leave a Comment

Galera,

acabamos de entrar no avião. Para variar, chove (fraco) em São Paulo.

Boa viagem metal para nós.

[ ] ‘ s,

Eduardo e Marcus.

Cobertura MHM World Magnetic Tour – POA 1

•Wednesday, January 27th, 2010 • Leave a Comment

Galera,

estamos (Marcus Batera e Eduardo Yoda) na sala de embarque do aeroporto de Congonhas, prestes a embarcar para Porto Alegre.

Essa é a nossa primeira foto para vocês.

[ ] ‘ s,

Eduardo e Marcus.

MetallicA no Brasil: finalmente está chegando a hora!

•Wednesday, January 27th, 2010 • 8 Comments
World Magnetic Tour: em poucas horas, no Brasil.

World Magnetic Tour: em poucas horas, no Brasil.

Pessoal,

que alegria no coração: após praticamente 11 anos, verei novamente, em 3 oportunidades, a maior banda de metal da história dos Estados Unidos, segundo eu fontes confiáveis.  :-). Não sei se vocês perceberam como tudo está ficando magnético nestas últimas horas que antecedem o show…  :-)

Brincadeiras à parte, não curtirei os shows sozinho aqui pelo Minuto HM. Gostaria de destacar aqui os amigos do Minuto HM que lá estarão presentes comigo, seja em um show, seja em 3, ou seja em setor diferente, mas que lá estarão para ter o gosto de ver os 4 cavaleiros do metal em ação, com 100% de certeza de ver setlists históricos, com muita coisa dos 5 aclamados e amados primeiros discos.

Aqui está a relação, já twittada no @minutohm:

  • Amanhã, em Porto Alegre, por Marcus Batera e Eduardo [dutecnic] Yoda.
  • MetallicA em SP (dia 30): Eduardo [dutecnic] Yoda, Marcus Batera, Renato Coelho Cão, Wagnão Megadeth e Chris Nakada.
  • E MetallicA em SP (dia 31): Eduardo [dutecnic] Yoda, Marcus Batera e Ricardo [ricdso]
  • MetallicA no Brasil: com exceção do Ricardo, na arquibancada, estaremos todos na pista VIP nos respectivos dias.

Para deixar um gostinho a todos, esse foi o set de ontem à noite, em Santiago do Chile:

Creeping Death
For Whom The Bell Tolls
The Four Horsemen
Harvester Of Sorrow
Fade To Black
That Was Just Your Life
The End Of The Line
Sad But True
Broken, Beat and Scarred
Cyanide
One
Master Of Puppets
Fight Fire With Fire
Nothing Else Matters
Enter Sandman
- – - – - – - -
Blitzkrieg
Whiplash
Seek and Destroy

Marcus Batera e eu embarcamos para Porto Alegre hoje a noite. Sei da emoção peculiar do Marcus, o fã mais assíduo da banda que conheço (além de mim, claro), profundo conhecedor de todos os discos, e gostaria de deixar registrado aqui a minha alegria de tê-lo como grande amigo. Amanhã, cara, é nosso dia! Será o primeiro dos 3 melhores dias do ano, sem dúvida.

Por fim, vejo os outros amigões no sábado e Ricardo, quem sabe você não me enxerga no domingo… mas Morumbi é grande, cara, não é tão “perto” como o Parque Antárctica foi no Maiden.

[ ] ‘ s,

Eduardo [dutecnic] Yoda.

Kiss discografia 34a parte – Álbum: Sonic Boom

•Sunday, January 24th, 2010 • 25 Comments

Neste capítulo, traremos os caminhos que fizeram o KISS gravar mais um álbum de estúdio em 2009.

ÁLBUM: SONIC BOOM

  • Paul Stanley, Gene Simmons, Eric Singer e Tommy Thayer.
  • Lançamento: 06/10/2009
  • Produtores: Paul Stanley e Greg Collins
  • Não certificado pela RIAA Certification
  • O Álbum atingiu #2 na parada da Bilboard

O Estilo setentista na capa do novo álbum: Sonic Boom

1. Modern Day Delilah – 3:36 7. All For the Glory – 3:50
2. Russian Roulette– 4:32 8. Danger Us – 4:21
3 .Never Enough – 3.26 9. I’m an Animal – 3:45
4. Yes, I Know(Nobody’s Perfect)– 3:01 10.When Lightning Strikes – 3:42
5. Stand – 4:47 11. Say Yeah– 4:23
6. Hot and Cold – 3:34

Disco Bônus: KISS KLASSICS

1. Deuce  – 3:08 8. Heaven’s on Fire  – 3:24
2. Detroit Rock City – 3:57 9. Lick It Up – 3:56
3 . Shout it Out Loud  – 2:54 10. I Love It Loud   – 4:09
4. Hotter Than Hell – 3:10 11. Forever  – 3:53
5. Calling Dr. Love  – 3:26 12. Christine Sixteen  2:59
6. Love Gun – 3:14 13. Do You Love Me? – 3:39
7. I Was Made for Lovin’ You”– 4:42 14 Black Diamond  – 4:20
15. Rock and Roll All Nite – 2:49

DVD Bônus – LIVE IN BUENOS AIRES

1. Deuce
2. Hotter Than Hell
3 .C´mon And Love Me
4. Watchin´ You
5. 100.000 Years
6. Rock And Roll All Nite

Após a rentável turnê com o Aerosmith em 2003, a banda começa o ano de 2004 buscando manter-se na estrada e sem muita perspectiva de lançamentos novos, principalmente CDs, até por que o último registro (KISS SYMPHONY: ALIVE IV) não chegou as duzentas mil cópias vendidas, muito motivado pelo acesso cada vez mais fácil via internet de qualquer registro em áudio que fosse lançado. Os primeiros shows de 2004 estavam programados para maio, novamente na Austrália, aparentemente um novo mercado cada vez mais freqüente para ao grupo. Uma nova mudança na formação se anuncia, pois o contrato com Peter Criss, vencido no final de 2003, não é renovado e novamente Eric Singer é trazido para compor as fileiras do KISS, desta vez em caráter aparentemente permanente. A era do retorno da formação original, que havia passado por baixas desde 2001, com saídas alternadas de Ace Frehley e Peter Criss é definitivamente deixada de lado e esta nova formação com Tommy Thayer e Eric Singer torna-se estável, a ponto de ter até o momento seis anos de duração.  Com Singer e Thayer, a banda se vê mais livre para buscar qualquer tipo de repertório de qualquer era, visto que os novos integrantes são, antes de tudo, fãs do grupo e conhecem tão, ou melhor, que Stanley e Simmons as músicas das diversas fases do KISS.

A intitulada turnê Rock the Nation adentra pela Austrália em 08/05/2004, seguindo para mais seis shows no Japão até o inicio de junho, com boa receptividade pela platéia.  No repertório, o resgate de canções como War Machine, Makin’ Love, Unholy, Christine Sixteen e God Gave Rock and Roll to you II. O grupo segue para casa e a turnê nos Estados Unidos segue de 10 de junho a 13 de agosto. Os três shows finais são no México, ainda em agosto.  A “perna americana” traz mais surpresas no repertório, como a inclusão esporádica de diversas músicas há muito não executadas ou até nunca tocadas: As surpresas seguem desde as lembranças de C’mon And Love Me, Parasite e Tears Are Falling a musicas inéditas ao vivo (All The Way e Love Her All I Can).  Se a excursão ao Japão e Austrália é um sucesso, não se pode dizer o mesmo dos shows em território americano: menos de metade dos ingressos foram vendidos, e apenas os shows do México repetem a boa perfomance de venda dos shows iniciais.  O áudio dos shows nos Estados Unidos é comercializado através dos chamados Instant Lives, que disponibiliza em CDs os shows praticamente de forma instantânea. Assim, trinta e dois shows de 2004 foram colocados para aquisição, alguns trazendo as pérolas acima, raramente executadas. Mas a baixa vendagem dos ingressos nos Estados Unidos estanca os planos para 2005 e a banda passa praticamente o ano “em branco”. Além da decepcionante vendagem de ingressos da Rock The Nation Tour em solo americano, contribuíram para isso as cirurgias no quadril que Paul Stanley teve de se submeter em outubro e dezembro de 2004.  A exceção é uma participação em show para dar suporte a tropas de marinheiros americanos em 01/04/2005 intitulado Rockin’ The Corps, que depois foi disponibilizado em cd (que traz um dvd bônus com cenas do evento) O grupo participa no registro com Love Gun, Detroit Rock City e Rock And Roll All Nite, e no mesmo evento há a presença de personalidades americanas e outros artistas do mundo musical, como Richie Sambora e Ted Nugent. Os direitos das gravações foram cedidos à organização não-governamental Support The Corps, um atitude que só encontra precedente, pela banda, na cessão de uma gravação ao vivo de Heaven’s on Fire em 1984 para compor o álbum beneficente Hear ‘and’ Aid em 1985.  Durante o restante do ano de 2005, Gene Simmons prepara-se para seguir o exemplo de Ozzy Osbourne e seu rentável reality show The Osbournes com a sua própria versão intitulada “Gene Simmons Family Jewels”, que começa a ser exibida em 2006 e Paul Stanley faz sua estréia publica como pintor, exibindo e também vendendo suas pinturas em galerias de arte. O ano termina com o tão aguardado lançamento do DVD duplo Rock the Nation Live, contendo o show gravado em Washington, DC no dia 24/07/2004. No repertório, há a inclusão das músicas que foram pouco executadas durante a turnê, como Tears Are Falling e Love Her All I Can.  Sabe-se que neste show também foi tocada All The Way, porém a mesma não se encontra no DVD, apenas no cd bônus que foi lançado exclusivamente no Japão com três faixas; as outras duas (Psycho Circus e King Of the Night Time World) capturadas do show no dia 25/07/2004, em Virginia. Lançado em 13/12/2005,  Rock The Nation Live obteve certificação de dupla platina em 29/01/2007.

O KISS começa o ano de 2006 começa num ritmo ainda mais lento que em 2005, fazendo esporádicos shows no Japão e nos Estados Unidos entre maio e julho. A se destacar, a perfomance de Kissin’ Time e de Love’em and Leave’em, esta tocada pela primeira vez ao vivo. Paul Stanley dedica o segundo semestre para o lançamento do álbum-solo LIVE TO WIN (em outubro) e subseqüente turnê em clubes dos Estados Unidos. O grande projeto para o grupo, no entanto, é o lançamento em 31/10/06 do primeiro de uma seqüência de três DVDs que cobririam toda a carreira da banda: KISSOLOGY: THE ULTIMATE KISS COLECTION VOL 1 (1974-1977)  obtém grande sucesso de venda, atingindo o status de multi-platina (seis vezes) pela RIAA CERTIFICATION em 19/01/2007.  Seus sucessores são lançados em 2007, o KISSOLOGY: THE ULTIMATE KISS COLECTION VOL 2 (1979-1991) em 14/08/2007 e KISSOLOGY: THE ULTIMATE KISS COLECTION VOL 3 (1992-2000) em 18/12/2007, mas até o momento não foram certificados pela RIAA. O material contido nos três DVDs vem sendo mencionado constantemente em todos os posts até o ano de 2000, para maiores detalhes, vocês podem conferir os números anteriores desta discografia.  Durante o ano de 2007, os shows do KISS resumem-se a cinco, sendo quatro em julho e um em outubro. Apesar de membro do KISS durante todos esses anos, Eric Singer investe em outros projetos, como o ESP (Eric Singer Project) que conta com convidados como Bruce Kulick e também atuando como baterista de Alice Cooper no álbum Along Came a Spider de 2005 e na subseqüente turnê de divulgação. Já Tommy Thayer prioritariamente se envolve com a produção dos diversos DVDS lançados pela banda, como os citados KISSOLOGYs, entre outros. O último show de julho da banda, em San Jacinto, na Califórnia, no dia 27 foi efetuado sem a presença de Paul Stanley, que foi diagnosticado com aumento súbito do batimento cardíaco, entre o soundcheck e o horário do show. Segundo a informação do hospital em que Paul foi atendido, seus batimentos chegaram a 200 por minuto, sendo necessária medicação intravenosa para reduzi-los ao nível normal. O show teve uma perfomance inédita da banda como trio, tendo o set-list completamente improvisado: As músicas tocadas foram: Deuce, Cold Gin, Calling Dr Love, Christine Sixteen, Nothin’ to Lose, I Love it Loud, Goin’ Blind, Watchin’You, She, Parasite, God of Thunder, Let Me Go Rock’n’ Roll, Black Diamond e Rock and Roll All Nite, sendo Nothin’ To Lose e Black Diamond cantadas por Eric Singer. Em agosto de 2007, a banda se reúne no Henson Recording Studios em Hollywood, Califórnia para a regravação de clássicos que foram lançados exclusivamente no Japão, no álbum intitulado JIGOKU-RETSUDEN: NEW RECORDING BEST. A idéia de tais regravações era de permitir o uso comercial das músicas sem pagamento de direitos à gravadora anterior e para tal, as execuções teriam de procurar soar o máximo possível como as originais.  O álbum saiu no Japão em 27/08/2008 trazendo uma edição bônus que continha em DVD onze músicas do show de 4 de abril de 1977, no Japão (Budokan), vídeo já disponibilizado anteriormente no KISSOLOGY VOL 1.

O ano de 2008 não iria trazer quase nenhuma novidade fonográfica para a banda, a não ser pelo lançamento pela gravadora anterior de mais uma coletânea intitulada IKONS (um trocadilho com icons, – ícones em português). A coletânea é quádrupla em formato digipak e tem cada CD dedicado a um dos integrantes originais do KISS, trazendo apenas músicas cantadas pelo mesmo.  Desta forma, temos o CD 1 (vermelho) com canções com Gene Simmons nos vocais: God of Thunder, Almost Human, Calling Dr. Love, Ladies Room, Christine Sixteen, Deuce, Rock And Roll All Nite, Cold Gin, Parasite, Larger Than Life, Love ‘em And Leave ‘em, Plaster Caster, Radioactive e Charisma. O CD 2 (roxo)  traz as músicas cantadas por Paul Stanley: Detroit Rock City, Love Gun, Take Me, Strutter, C’mon And Love Me, Hotter Than Hell,100,000 Years, Rock Bottom, Do You Love Me?, All American Man, Mr. Speed, I Stole Your Love, Wouldn’t You Like to Know Me e I Was Made for Lovin’ You. O terceiro volume (azul)  fica a cargo dos vocais de Ace Frehley: New York Groove, Shock Me, 2,000 Man, Rocket Ride, Snow Blind, Speedin’ Back to My Baby, Talk to Me, What’s on Your Mind, Rip It Out, Save Your Love, Hard Times, Two Sides of the Coin, Dark Light e Into the Void. O último álbum (verde) traz as músicas com a voz de Peter Criss: Hard Luck Woman, Baby Driver, Hooligan, Beth, I Can’t Stop the Rain, Black Diamond, Mainline, Don’t You Let Me Down, Dirty Livin’, Getaway, Strange Ways, That’s the Kinda Sugar Papa Likes, Easy Thing e I Finally Found My Way.

Mas o ano é muito mais frutífero por marcar o inicio de uma nova investida da banda ao vivo, desta vez na KISS Alive/35 World Tour. Criada para comemorar os 35 de carreira do grupo, a turnê percorre boa parte do globo terrestre, a começar pela Austrália, tocando no fim de semana que trouxe os carros de fórmula um para a corrida de Melbourne. São quatro shows na Austrália e também Nova Zelândia no mês de março, com um repertório de canções clássicas da banda, onde a maior surpresa é a interpretação de Shock Me, com os vocais de Tommy Thayer. A banda segue para a Europa para 30 shows durante os meses de maio e junho de 2008, onde trazem para o formato do show a interpretação em uma seqüência quase na íntegra do álbum KISS ALIVE! (apenas Firehouse, Watchin’ You e Rock Bottom não são tocadas). Os clássicos das demais fases da banda, como Detroit Rock City ou Love Gun ficam para o bis, que costuma ter cinco ou seis músicas. A se destacar, a venda em sete minutos de todos os ingressos para o show de Helsinki, na Finlândia, o que motivou os organizadores a marcar uma nova data (cujos ingressos se acabaram em dez minutos).  Outros quatro shows são feitos nos Estados Unidos, durante o mês de agosto, e a banda prepara uma segunda fase dos shows para o ano de 2009, a começar pela América do Sul. Ao fim de 2008, começam a circular um rumor de que a banda estaria pronta para terminar um jejum de onze anos sem um álbum de estúdio.  Entre novembro e dezembro de 2008, o grupo confirma a intenção de um novo lançamento para 2009.  No início de 2009 as gravações parecem que vão se iniciar, mas antes o KISS finalmente retorna ao Brasil em abril, após dez anos, para shows em São Paulo (07/04) e Rio de Janeiro (08/04), depois de ter começado a turnê sul-americana em Santiago e Buenos Aires. Mais três shows em Bogotá, Lima e Caracas completam a turnê sul-americana, que mantém o conceito de se tocar o álbum KISS ALIVE! quase em sua totalidade, incluindo nos shows também Watchin’ You . No bis, uma seleção de clássicos, como Shout it Out Loud, Lick it up e I Love It Loud.  Após a vinda à América do Sul, a banda intensifica os registros em estúdio durante os meses de maio, junho e julho, quando dão por terminado os trabalhos de gravação deste novo álbum, intitulado SONIC BOOM. O trabalho é agendado para ser lançado em outubro, mas antes disso o KISS faz mais dez shows da Alive/35 World Tour durante o mês de julho no Canadá (sendo um deles para noventa mil pessoas em Quebec) e outros dois em junho e julho nos Estados Unidos.

Paul e Gene

A banda está consolidada há seis anos com Tommy e Eric.

O álbum, produzido por Paul Stanley em Los Angeles com a co-produção de Greg Collins, é totalmente feito com canções de autoria da banda, algo que só encontra precedente no longínquo LICK IT UP, de 1983. Com uma intenção clara de retomar o hard-rock clássico do começo da carreira, SONIC BOOM aposta neste trabalho em conjunto, e descarta qualquer influência externa em seu conteúdo. A banda efetua um contrato de divulgação que prevê o lançamento do CD na cadeia de lojas Wal Mart por míseros doze dólares, num pacote digipak que traz além de suas onze músicas inéditas, outro CD contendo o álbum JIGOKU-RETSUDEN: NEW RECORDING BEST, desta vez rebatizado de KISS KLASSICS, com as mesmas quinze músicas clássicas regravadas em 2007 e lançadas no mercado japonês. E mais: Um DVD que traz seis canções do show efetuado em 05/04/2009, na Argentina, o intitulado Live in Buenos Aires. Um livreto de vinte páginas completa o pacote, numa arte gráfica que traz uma alusão clara à clássica capa do álbum ROCK AND ROLL OVER, cujo autor (Michael Doret) é o mesmo deste SONIC BOOM.  A intenção era realmente recriar algo que trouxesse de volta o espírito da fase de mais sucesso da banda, e tendo a capa de ROCK AND ROLL OVER, que é provavelmente considerada a mais clássica entre todas as capas de todos os tempos do KISS, como elemento inspirador desta nova arte gráfica.  O álbum também traz uma inédita quantidade de parcerias entre Gene Simmons e Paul Stanley: São três músicas exclusivamente feitas pela dupla e mais uma, contando com a co-autoria também de Tommy Thayer, que além dessa contribuiu em duas outras parcerias. Também é sem precedentes a estréia no vocal de dois membros da banda, Eric Singer, em seu terceiro trabalho de estúdio no grupo cantando All For The Glory e Thayer, em sua estréia oficial no conjunto cantando When Lightning Strikes, também algo inédito em se tratando de vocais dos guitarristas solos da banda, pois Ace Frehley só estreou nos vocais do KISS no sexto álbum em que tocou (LOVE GUN) e Bruce Kulick em sua última participação (CARNIVAL OF SOULS: THE FINAL SESSIONS). Outro ponto marcante é que novamente há uma musica (Stand) com vocais divididos entre Stanley e Simmons, algo mais comum nos álbuns produzidos por Bob Ezrin, e que desde REVENGE (com Spit e God Gave Rock And Roll To You II) não se repetia. O primeiro single de SONIC BOOM é a faixa inicial Modern Day Delilah, que é lançada cerca de dois meses antes do álbum, em 19/08/09.   O vídeo clip dessa música vazou pela internet nos primeiros dias de dezembro e foi oficialmente lançado em 09/12/2009 através do site Yahoo!  No vídeo clip os membros da banda em formato gigante andam em Detroit. Para promoção do álbum, a parte americana da Alive/35 World Tour é finalmente agendada, indo de 25/09 (com dois shows seguidos em Detroit) a 13/12/2009 em Pitsburgh.  Modern Day Delilah é incluída nestes shows e um segundo single (Say Yeah) que foi lançado em 08/12/2009 também passa a fazer parte do repertório dos shows americanos a partir de 26/10 em Atlanta.

A edição recheada de bônus com KISS KLASSICS e o DVD de Buenos Aires.

A estratégia de venda exclusiva na cadeia Wal Mart e por um preço extremante acessível parece funcionar, pois SONIC BOOM atualmente já passou a casa de duzentas e cinqüenta mil cópias vendidas tendo atingido uma inédita segunda posição na parada da Bilboard, a melhor dentre todos os álbuns da carreira do KISS. No início de 2010 a banda lançaria mais um álbum, que será abordado no próximo post.

NR: Em nossa opinião, o lançamento deste novo SONIC BOOM deve-se principalmente a estabilidade que a atual formação vem mostrando, algo comparável ao momento que a banda passou depois da entrada de Bruce Kulick e até o retorno da formação original, em 1996, embora em tal fase o direcionamento musical variasse muito de álbum para álbum. Sabemos também que a primeira formação tem uma química única e indiscutível, mas que sofre com os destemperos de uma relação turbulenta quase desde o seu início.  E musicalmente, com Tommy Thayer e Eric Singer (principalmente) todos os momentos do KISS podem ser abordados ao vivo, como ficou claro no DVD Rock the Nation, com a execução de músicas de diversas fases da banda. Fica latente, porém, que Thayer fica muito mais à vontade quando os solos originais são os executados anteriormente por Ace Frehley. Suas intervenções em Unholy e War Machine, por exemplo, até funcionam, mas não tão bem quanto o executado pelos guitarristas da década de 80, como Bruce Kulick ou Vinnie Vincent. Se o KISS tivesse optado por músicas que exigissem maior demonstração técnica, como as com solos mais técnicos e rápidos dos álbuns LICK IT UP ou ANIMALIZE, era bem provável que a comparação não fosse lá muito lisonjeira com o atual guitarrista da banda. Podemos também destacar em Rock The Nation o uso pelo grupo de um conceito político em favor dos Estados Unidos, algo inédito até então, visto que a banda sempre procurou deixar-se à margem deste tipo de preocupação. Paul Stanley, ao final do DVD, incita a platéia num inusitado discurso em favor da pátria, enquanto bandeiras dos Estados Unidos são exibidas nos diversos telões do palco. Seja lá o que motivou tal discurso, a turnê acabou não rendendo o esperado, embora o show mostrasse que a formação atual já funcionava bem ao vivo, e em especial pelo resgate de musicas como God Gave Rock And Roll To You II, as mencionadas War Machine e Unholy e obscuras canções da fase mais antiga da banda, notadamente All the Way e Love Her All I Can. Com o fracasso comercial da turnê, a banda buscou entre 2005 e 2007 outras atividades, pois a pirataria digital certamente reduziria as vendas e acabaria tornando um novo trabalho inédito pouco interessante do ponto de vista comercial

Em 2008, após este estratégico “descanso” de aparições públicas como banda, eles novamente tentam buscar recuperar seu fôlego na nova turnê Alive/35 World Tour, atingindo primeiramente os mercados que sempre foram mais receptivos à banda, como Japão, Austrália e América do Sul. A turnê começa sem grandes mudanças no repertório, mas ao alterar para a execução de forma comemorativa quase na íntegra do antológico álbum KISS ALIVE!, o grupo acaba acertando em cheio e descobre um formato mais apropriado para a celebração dos 35 anos de carreira. E é justamente desta forma que o KISS vem ao Brasil pela quarta vez: o show do Rio de Janeiro infelizmente não contou com o público que os prestigiou no restante da turnê sul-americana, mas os cerca de dezessete mil felizardos, inclusive este que aqui escreve, não tiveram do que reclamar. O show nos brindou com canções que o tempo não desgastou, e que estavam um pouco à margem do repertório mais calcado de clássicos que a banda vinha executando. Desta maneira, foi ótimo ouvir Got To Choose, Hotter Than Hell (música Gene Simmons usou para sua famosa cuspida de fogo, em substituição à Firehouse, uma das poucas do KISS ALIVE! que não ouvimos) ou Nothin’ to Lose, cantada por Eric Singer.  O maravilhoso álbum ao vivo foi tocado quase na seqüência original, para delírio dos fãs mais assíduos, exceto pela mudança de ordem em Black Diamond, levada para quase o fim do show, apenas antes da obrigatória Rock and Roll All Nite e sua chuva de papel picado na platéia e Let Me Go, Rock’n’ Roll, que fechava o álbum. No Rio e nas demais cidades da turnê, esta veio antes de Black Diamond, deixando o fim para a mais conhecida música do grupo. Outro destaque foi a versão longa-metragem de 100.000 years, sem dúvida uma das melhores desta fase ao vivo, e desta vez muito bem “azeitada” com um solo de bateria, que fez uma homenagem ao original de Peter Criss em seu começo, mas também abriu espaço para o estilo mais moderno de Eric, com uma técnica impressionante de execução da parte final, numa interpretação mais livre. Tommy Thayer teve também seu espaço e seguiu de forma quase fiel o que Ace Frehley fez no clássico álbum ao vivo, mas incluindo um trecho da quinta sinfonia de Beethoven em substituição ao tema do filme 2001 – uma odisséia no espaço, que o Space-Man original usou nos seus solos da reunion tour.   Antes deste solo (tocado em She), durante Watchin You e Parasite, tivemos a visita da chuva, que despencou de forma torrencial, mas só fez incendiar ainda mais a platéia, pois parado é que não dava pra ficar.  Outro ponto positivo foi a equalização perfeita, com o som na medida certa e reforçado dos graves do “bumbão” de Singer. É certo que não podíamos mais esperar da banda aquela movimentação incessante anos 70 e 80, devido à idade de Gene Simmons e Paul Stanley (cuja voz depois de tantos anos a serviço do rock and roll começou a demonstrar sinais de cansaço), mas o show em momento algum se tornou enfadonnho, ainda que tenha durado cerca de duas horas. No bis, músicas clássicas das diversas outras fases do grupo, como Lick it Up (acrescentada de um trecho de Won’t Get Fooled Again, do The  Who, uma das bandas de grande influência no KISS) e I Love it Loud, que foi precedida do momento solo de Gene Simmons. A chuva não permitiu o vôo do linguarudo para o alto do palco ou ida de tirolesa ao meio da platéia de Paul Stanley em Love Gun (que nem tocada foi), mas não chegou a comprometer o restante do show. A conclusão que podemos chegar é que a banda retomou as origens, com um show bastante calcado no hard-rock de sua essência e muito bem executado por uma formação bastante competente para o estilo.

A edição tripla é caprichada, com as letras das musicas e detalhes das produções dos discos.

A Alive/35 World Tour mostrou-se um sucesso comercial fora dos Estados Unidos, mas para atingir seu maior público algo mais precisaria ser feito: A banda precisava de um álbum de inéditas que soasse convincente e mais do que isso, uma forma de veiculá-lo que conseguisse sobreviver aos novos tempos de acesso digital praticamente instantâneo. A estratégia montada para a venda do novo SONIC BOOM, através de uma poderosa cadeia de lojas e por um mísero valor para o padrão americano (praticamente um dólar por música inédita, e ainda trazendo como brindes outro CD com 15 músicas clássicas e um DVD com parte de um show gravado recentemente) tornou-se irresistível até para muitos dos consumidores da Internet.  A prova disso é o atual número de vendas que o álbum atingiu até o momento. A inclusão do álbum JIGOKU-RETSUDEN: NEW RECORDING BEST, sob a alcunha de KISS KLASSICS, além de libertar comercialmente as amarras da banda junto à gravadora anterior, serviu também para buscar novos fãs, que eventualmente desejassem conhecer o restante do catálogo da banda. As versões estão realmente muito próximas das originais, pelos motivos já expostos acima, e podemos destacar Deuce, Love Gun, Shout it Out Loud e Hotter Than Hell como alguns exemplos de regravações quase idênticas às anteriores. Algumas canções sofreram mais na tentativa de soar próximo às originais, como I Was Made For Loving You, cujo vocal atual de Paul Stanley já não consegue atingir os falsetes de quase 30 anos atrás, ou I Love it Loud, que não chega perto da sonoridade do álbum CREATURES OF THE NIGHT, em especial pela bateria, até por que Eric Singer é aquele entre os atuais membros do grupo que menos procura soar como as faixas originais se apresentavam. Lick It Up tem uma mudança na letra (na frase: “Don’t need to wait for an invitation” que nesta regravação ficou “Don’t want to wait for an invitation”) e foi gravada meio tom mais grave que a original do homônimo álbum, algo que também acontece em I Love It Loud. No mais, mudanças muito mais específicas, como a sonoridade ligeiramente diferenciada do violão usado no solo de Forever, detalhes quase imperceptíveis à grande maioria dos apreciadores. O DVD gravado em Buenos Aires funciona bem como complemento visual, mas não traz nenhuma grande novidade e poderia trazer o show completo, e não apenas algumas músicas.

Os autógrafos da banda no encarte central do álbum.

Mas para que SONIC BOOM tivesse “vida própria”, e sustentasse com categoria a turnê americana, ele precisava ser bom. E exatamente é isso que o KISS conseguiu: fazer um álbum consistente e que remete diretamente à fase clássica da banda, sem que isso soasse como uma caricatura deles mesmos. As referências mais claras buscam os álbuns DRESSED TO KILL ou KISS, e mais especificamente, os “irmãos gêmeos” LOVE GUN E ROCK AND ROLL OVER. Evidentemente que tudo que a banda criou durante o restante da sua carreira não foi jogado no lixo, mas as referências de outras fases aparecem muito mais nos detalhes do que na essência do álbum. De uma forma geral, SONIC BOOM não traz músicas muito abaixo das demais, todas mantêm certo patamar de qualidade. Uma das faixas de destaque, com uma levada rock’n’roll que nos leva principalmente ao DRESSED TO KILL é All For The Glory, cantada por Eric Singer, que cumpre seu papel com muita competência. Gene Simmons aparece no CD com uma consistência de composições que nos lembram de seus melhores momentos na banda, como em REVENGE ou LICK IT UP, mas com a sonoridade dos álbuns da década de 70. Canções como Russian Roulette ou I’m An Animal (que foi composta por Simmons, Thayer e Stanley num hotel do Rio de Janeiro em abril) trazem de volta o baixista linguarudo do início da carreira. I’m An Animal é um dos destaques do trabalho, num ritmo mais cadenciado e é sem dúvida a mais pesada de SONIC BOOM. A faixa inicial é uma das grandes contribuições de Paul Stanley no CD, mas em todas as outras faixas ele se apresenta bem. Modern Day Delilah teve também a responsabilidade de chamar a atenção dos fãs para este novo SONIC BOOM, pois foi lançada antes, como principal single e podemos dizer que cumpriu o seu papel. Durante o álbum notamos também semelhanças com riffs de outras bandas como o usado nas estrofes de Never Enough, que pode ser comparado a um cruzamento de All Right Now da banda Free com You Shook Me All Night Long do AC/DC. Já o segundo single Say Yeah tem algo em sua estrofe inicial do álbum-solo de Paul Stanley, Live to Win, mas na essência é outra boa faixa com a mesma característica clássica das demais. A faixa cantada por Tommy Thayer, cujo riff inicial é “a cara” do single de 1975 Never Been Any Reason da banda Head Est, tem também referência direta com o conceito de Space-Man e não compromete, assim como o seu vocal, mas o grande mérito de Tommy no álbum é ter ajudado na co-autoria e arranjos das faixas. A falta de personalidade de seus solos, porém, é algo que nos incomoda, gostaríamos que ele desenvolvesse um trabalho que mostrasse algo mais que as intervenções já conhecidas de Ace Frehley.  Apesar de bastante coeso, SONIC BOOM deixa uma dúvida que só o tempo vai dirimir: Como não há um destaque absoluto entre suas faixas, não sabemos se alguma delas vai resistir ao tempo, mas pensando bem, o que mais poderíamos exigir de Gene Simmons e Paul Stanley, respectivamente com 60 e 58 anos? Sem fazer qualquer comparação a qualquer outra fase do KISS, só o fato destes “velhinhos” terem nos brindado a essa altura do campeonato com um álbum que definitivamente acrescenta aos mais de 35 anos de carreira do grupo é uma justificativa incontestável de que SONIC BOOM vale cada centavo investido em sua aquisição.

Conforme anunciado aqui no MHM, a banda lançou no final do ano de 2009  um novo ao vivo que, entre outras coisas, será assunto do nosso próximo post, assim que nossa aquisição for recebida e devidamente apreciada.  Aguardem o último capitulo desta discografia (ainda sem data) – até lá!

Alexandre B-Side e Flávio Remote.

Resultado Poll # 12: Iron Maiden é a banda mais desejada para tocar no Brasil em 2010

•Sunday, January 24th, 2010 • 9 Comments

Olá amigos do metal,

primeiramente, minhas desculpas por andar meio ausente do mundo dos posts (estou procurando comentar o que vejo de novidade e curtindo o @minutohm no twitter para poder alimentar nosso widget na lateral direita do site – espero que estejam curtindo, pois filtro bastante coisa para deixa apenas o que é realmente “relevante” para nós).

Fechando nossa última pesquisa (votada por 50 pessoas + alguns “engraçadinhos” da internet que, obviamente, foram desconsiderados no fechamento dos números), trago para todos o resultado final:

Resultado Poll # 12: Iron Maiden é a banda mais desejada para tocar no Brasil em 2010

Mesmo tendo recebido o Maiden nos 2 últimos anos, a família do metal quer mais no Brasil!

Confesso que foi o vencedor da pesquisa representa algo inesperado por mim – afinal, tivemos o privilégio de vê-los ao-vivo no nosso país em 2008 e 2009 – sem contar o fato da pesquisa pedir bandas já confirmadas ou não no Brasil em 2010.

Outro ponto interessante, mas não tão surpreendente, é ver que os Metal Gods fincaram a segunda posição. A última vez que eles passaram por aqui, show que chamei de “verdadeira aula de heavy metal”, foi para apresentar o excelente disco Nostradamus.

Achei até engraçado ver um voto para o Cobra Starship que, apesar de não ser exatamente o foco do blog, é a única banda “nova” que foi votada.

Há alguns sonhos de consumo também na lista, como Van Halen, Paul McCartney (os rumores de uma visita dele deram uma parada) e até mesmo Pink Floyd (eles se juntarem novamente é algo bastante improvável, eles juntos vindo para o Brasil, então, beira o impossível).

É isso aí, galera… agora só nos resta aguardar. E para ser sincero, este ano vou ter que dar uma boa segurada, visto que ando em um ritmo forte de shows nos últimos anos e, com os altíssimos (e, muitas vezes, totalmente fora da realidade) preços que vêm sendo praticados desde o último show do U2 no país (que iniciou a mina de ouro para TicketMaster e associadas, como T4F), haja fôlego financeiro para poder acompanhar nossos artistas e bandas prediletos.

Infelizmente, está virando virou coisa de milionário poder assistir a shows no Brasil. A título de curiosidade apenas, o show do Paul McCartney (SIM, um ex-Beatle) no Pacaembu (pista ou arquibancada) na sua última passagem no país em dez/1993 custou USD 5,00. OK, outros tempos, outra realidade atual do país, o Brasil cresceu bastante e muitos fizeram um “upgrade” de classe social. Mas acordem, produtores: shows como o MetallicA não serem esgotados representa apenas uma coisa: É O PREÇO, e não falta de público-alvo.

[ ] ‘ s,

Eduardo.

Tá de Sacanagem! Miley Cyrus cantando Rock and Roll All Nite!!

•Wednesday, January 20th, 2010 • 4 Comments

Galera,

Não aguentei ao ver isso… achei, no mínimo, curioso e merecedor da galeria “Tá de Sacanagem” do blog!!

O pior é que depois de ouvir algumas vezes, cheguei a seguinte conclusão: essa música é fera até com a minha vó cantando… rsrs…

Será que sou eu que mereço um “tá de sacanagem”??

Marco Dias.

Kiss discografia 33a parte – Álbum: Kiss Symphony Alive IV

•Sunday, January 17th, 2010 • 29 Comments

Neste post a aventura sinfônica do Kiss, com mais trocas na formação e uma turnê em conjunto com um outro dinossauro do rock.

ÁLBUM: KISS SYMPHONY: ALIVE IV

  • Paul Stanley, Gene Simmons, Tommy Thayer, Peter Criss
  • Lançamento: 22/07/03
  • Produtor: Mark Opitz
  • O Álbum atingiu #18 nas paradas

O projeto sinfônico do Kiss recebeu o status de quarto ao vivo oficial da banda.

Faixas:

Disco 1

Act One Act Two
1. Deuce – 4:14 7. Beth – 3:40
2. Strutter – 3:22 8. Forever – 3:50
3. Let Me Go Rock & Roll – 6:09 9. Goin Blind  – 3:38
4. Lick It Up – 5:12 10. Sure Know Something – 4:20
5. Calling Dr. Love  – 3:30 11. Shandi – 3:38
6. Psycho Circus – 5:13

Disco 2

Act Three
1. Detroit Rock City – 4:50 6. Love Gun – 4:26
2. King Of The Night Time World – 3:30 7. Black Diamond – 7:11
3. Do You Love Me – 4:09 8. Great Expectations  – 4:20
4. Shout It Out Loud – 4:10 9. I Was Made For Loving You – 5:00
5. God Of Thunder – 4:27 10. Rock And Roll All Nite – 7:21

A banda e seu maestro "vestido" à carater

Voltando um pouco no tempo, em 2001, havia um projeto para lançamento de um novo álbum ao vivo, gravado na virada do milênio, num show em Vancouver, que se chamaria ALIVE IV, mas, devido problemas contratuais ou o desapontamento da própria banda com o resultado, o disco acabou sendo engavetado.  Ainda em 2001 a versão de “Rock And Roll All Nite” (deste projeto) apareceria apenas no BOX SET (vide post anterior) e o álbum parecia definitivamente descartado. Em 2002, o projeto original de lançamento do novo disco ao vivo se transformaria em mais audacioso projeto: Em 20/10/2002 o KISS anuncia que estaria se unindo com a Orquestra Sinfônica de Melbourne para um único show na Austrália, em fevereiro de 2003, que geraria o novo álbum e DVD do espetáculo.  O projeto original de ALIVE IV acabou por ser lançado posteriormente em 21/11/2006, apenas numa edição quádrupla no Box Set Kiss Alive! 1975-2000 que traria o concerto do milênio juntamente com os três primeiros Alives da banda.  Neste Box, os dois primeiros álbuns ao vivo se dispõem no formato de cd simples, diferentemente da edição dupla dos remasters de julho de 1997. E há a inclusão de Rock and Roll All Nite versão para rádio ao final do Alive II. O álbum Alive III está disposto conforme lançado internacionalmente, tendo a música Take it Off, que não estava presente no lançamento Americano original. O álbum Alive! The Millennium Concert traz a seguinte lista de músicas: Psycho Circus, Shout It Out Loud, Deuce, Heaven’s On Fire, Into The Void, Firehouse, Do You Love Me?, Let Me Go Rock’n Roll, I Love It Loud, Lick It Up, 100.000 Years, Love Gun, Black Diamond, Beth e Rock And Roll All Nite. Ele foi basicamente gravado utilizando as versões ao vivo do show de Vancouver, mas também há músicas de outros shows entre 1997 e 1999.

O show sinfônico trouxe a pirotecnia característica da banda.

O show sinfônico trouxe a piroctenia característica da banda.

O projeto sinfônico com uma banda de rock não era um fato inédito, desde a utilização por parte dos Beatles em seus álbuns da década de 60, tendo sido anteriormente explorado por outras bandas do gênero, de forma pioneira com o Deep Purple no seu álbum de 1969:”Concerto for Group and Orchestra”, e décadas mais tarde com o Metallica com o álbum S & M com a San Francisco Symphony Orchestra, sob a direção de Michael Kamen em 1999 e o Scorpions com o álbum Moment of Glory em 2000, com a Berlin Philharmonic Orchestra. Para anunciar o show, Gene e Paul vão para a Austrália, juntamente com Peter Criss, que decidiu voltar à banda para este evento. Havia um problema maior: convencer Ace Frehley a também voltar para o projeto.  Neste momento Tommy Thayer, que já havia substituído Ace em poucas aparições públicas da banda em 2002, torna-se uma alternativa para uma possível recusa de Ace. Cabe ressaltar aqui que Tommy que sempre foi fã de Ace, já havia trabalhado com o próprio Space Man no seu retorno à banda, ajudando-o a lembrar licks e solos das músicas do grupo.

Durante a conferência de imprensa para anunciar o show, quatorze integrantes da Orquestra Sinfónica de Melbourne, pintados em maquiagem completa do KISS, tocam versões sinfônicas de “I Was Made For Lovin ‘You” e “Rock And Roll All Nite”. Os detalhes do formato do show começam a tomar forma, como um concerto em três partes. Na primeira parte um show apenas da banda, então a seguir um segmento acústico, tocando algumas músicas com o grupo acompanhado de um quarteto ou quinteto da orquestra. Depois disso, um pequena pausa para organização do maior momento do show, com a banda e orquestra completa.

Outra prova de que a banda estaria longe de se aposentar apareceria em 5/12/2002, quando há o anúncio de uma série de concertos no Japão, na sequência da visita à Austrália. Inicialmente, seriam três shows, mas logo a seguir seria feito a adição de uma data extra, devido à grande procura. Finalmente num programa de rádio “Merry KISSmas” (Eddie Trunk), em 21/12/2002 há a confirmação de que Tommy Thayer estaria tocando no lugar de Ace nos shows agendados e que as roupas da turnê de Kiss Alive! seriam usadas para o evento.

A banda chega à Austrália em 20 de fevereiro, e logo começa o processo de promoção e ensaios com o Maestro David Campbell e a Melbourne Symphony Orchestra para o evento.  Em 25 de fevereiro, como parte da promoção, a banda aparece no programa australiano Rove Live dando entrevistas sobre o concerto e a seguir tocando uma versão acústica de “Sure Know Something” acompanhada por nove músicos da sessão de cordas da Melbourne Symphony Orchestra.  Na entrevista Paul Stanley anuncia grande parte do repertório em seus três atos a se realizar três dias depois.

O coral infantil na maior surpresa do projeto.

Em 28 de fevereiro, para trinta e cinco mil pessoas no Telstra Dome de Melbourne – Austrália o show prometido se realiza com o seguinte set-list:  Primeiro Ato: Somente a banda participa com “Deuce”, “Strutter”, “Let Me Go, Rock ‘N Roll”, “Lick It Up”, “Calling Dr. Love “e” Psycho Circus “. Segundo Ato: Após um curto intervalo a banda volta ao palco com a chamada Ensemble MSO (Melbourne Symphonny Orchestra), uma versão de doze músicos da orquestra, para um desempenho acústico que incluiu: “Beth”, “Forever”, “Goin ‘Blind”, “Sure Know Something”, e a sempre obrigatória nos shows da Austrália “Shandi”.  Terceiro Ato: Ao som da música de George Harrison, “Here Comes The Sun”, há a montagem do palco com os sessenta membros da MSO.  No show seriam tocadas “Detroit Rock City”, “King Of The Night Time World”, “Do You Love Me?”, “Shout It Out Loud”, “God Of Thunder” “Love Gun”, “Black Diamond”, “Great Expectations” (Com participação do Coral de Crianças Australianas), “I Was Made For Lovin ‘You”, e a sempre obrigatória “Rock And Roll All Nite”.  No programa Rove Live, Gene Simmons havia anunciado que o show estaria sendo transmitido a todo o mundo no formato Pay-Per-View, o que acabou sendo oferecido apenas para Austrália, em versão final editada. O PPV foi transmitido em 17 de maio.

No mesmo mês, o KISS finalmente faz o que muitos fãs há muito tempo queriam, e que finalmente foi possível com o fim do relacionamento com a gravadora Universal Music Group: formar a sua própria gravadora. Segundo o empresário Doc McGhee, depois de ter muitos problemas com grandes gravadoras, a banda resolveu procurar uma gravadora independente e com isso melhor atingir seu público.  A banda acerta com a Sanctuary Records e forma a Kiss Records anunciando o seu primeiro lançamento: Kiss Symphony: Alive IV para 22 de julho. Lançado na data prevista o álbum segundo o SoundScan atingiu até fevereiro de 2007 cerca de cento e setenta mil cópias vendidas.  Pela primeira vez em sete anos, um álbum KISS seria lançado em vinil com o num conjunto triplo LP, limitado a 10.000 cópias. A banda também lançaria um CD duplo padrão e um formato especial em digi-pack que incluía um poster e seria limitado a cinqüenta mil cópias. Com o lançamento do CD de Kiss Symphony: Alive IV, os fãs tiveram a primeira chance real para comparar o Kiss em um álbum ao vivo com o seu material de fonte original (do Pay Per View da Austrália). E há diferenças: na maior parte apenas em pequenas edições: Algumas correções nas músicas como num grito de Gene no início da parte instrumental de “Deuce”, no final de “Love Gun” onde Tommy arrebenta uma corda da guitarra e principalmente nos intervalos entre as canções onde houve vários cortes nas apresentações das músicas, em particular entre Forever e Goin Blind, devido ao pedido da platéia para a execução de “The Oath” (Music from The Elder).  O álbum atinge o décimo oitavo lugar nas Paradas Billboard nos Estados Unidos.

O CD com um maestro maquiado - Beethoven?

Após o show na Austrália, o KISS se dirige para o Japão para quatro shows esgotados em Tóquio e Yokohama de 11 a 15/03/2003. Estes shows marcariam a estréia oficial de Tommy com o formato normal da banda. No primeiro show o set list seria Deuce / Strutter / Let Me Go, Rock ‘N Roll / Shout It Out Loud / Firehouse / Lick It Up / King Of The Night Time World / Calling Dr. Love / Psycho Circus / Goin’ Blind/ Do You Love Me? / Cold Gin / Beth / God of Thunder / I Was Made For Lovin You / Love Gun / Black Diamond (com “Angie” dos Rolling Stones tocada na introdução) / Detroit Rock City / Rock And Roll All Nite.

Ao fim da turnê japonesa a banda estaria de volta aos Estados Unidos para tocar em mais dois locais: em 16/03/2003 no Palms Casino Resort para duas mil pessoas e em 17/05/2003 no Rose Bowl Stadium para cinquenta mil pessoas. No restante do ano a banda, confirmando os boatos que pairavam desde o início de 2003, faria uma turnê em conjunto com o grupo Aerosmith. Tendo tocados juntos apenas uma vez antes, em 1974, desta vez a turnê se estenderia em duas partes sendo a primeira de 02/08 a 25/10/2003 e a segunda de 06/11 a 20/12/2003. Nesta turnê a banda introduz o pacote chamado “the Platinum tickets”, pela bagatela de mil dólares. Por tal valor, o fã teria direito a um ingresso nas cinco primeiras fileiras e um encontro com direito a fotos com a banda depois do show.  No meio da turnê há o lançamento do DVD KISS Symphony Alive IV, que atinge Platinum RIAA Certification. O DVD resgata muito dos cortes realizados na edição do CD e contém como bônus o programa Rove Live, com a performance acústica de Sure Know Something. Na continuação da turnê com o Aerosmith, destacam-se os shows na Cidade de Oklahoma, Oklahoma e em Houston, Texas onde Joe Perry (Aerosmith) toca Strutter com o Kiss e em 07/09 em Detroit onde Ted Nugent apareceu também como convidado especial.  Os shows trariam como set list básico do Kiss “Detroit Rock City” “Deuce” , “Shout It Out Loud” “Do You Love Me?”, “Let Me Go, Rock ‘n’ Roll”, “Firehouse”, “I Love It Loud”, “I Want You”, “God of Thunder”, “100,000 Years”, “Black Diamond”, “Beth”, “Love Gun”,”Rock and Roll All Nite” e eventuais inclusões de “Strutter,” “Hotter than Hell”, “King of the Night Time World” e “Lick it Up.  A turnê rendeu mais de sessenta e quatro milhões de dólares, a sétima maior arrecadação entre turnês daquele ano.

No DVD duplo o concerto completo e vários extras.

No DVD o concerto nos seus três atos e vários extras.

No início de 2004, Gene Simmons gravaria o seu segundo álbum solo, intitulado ASSHOLE pela recém associada gravadora Sanctuary Records. O álbum seria lançado em 8/06/2004, mas antes o Kiss novamente sairia em turnê, com mais uma mudança em sua formação.  Abordaremos esta e outras histórias no próximo post, semana que vem!

N.R: Sobre o álbum Alive! The Millennium Concert, que traz o show da virada do milênio, temos como principal destaque a inclusão da versão ao vivo de Do You Love Me? que apenas havia aparecido em oficialmente em registro ao vivo na versão acústica do álbum MTV UNPLUGGED KISS e já deveria ter sido incluída desde o segundo ao vivo da banda ALIVE II.  Podemos considerar boas inclusões as versões de Psycho Circus e Into The Void, que anteriormente em versões ao vivo, somente constaram do álbum bonus de PSYCHO CIRCUS.  Também no repertório, os singles mais conhecidos da fase sem a formação original, I Love It Loud, Lick it Up e Heaven’s on Fire, mas as versões são praticamente idênticas às conhecidas anteriormente no formato ao vivo.  No mais não há grandes novidades, e talvez por isso seja fácil entender o motivo da banda ter engavetado o álbum como projeto original do seu Alive IV.

O projeto original Alive IV, que virou The Millenium Concert na edição Box Set Kiss Alive! 1975-2000

Finalmente com o lançamento do seu quarto álbum ao vivo com o Cd KISS SYMPHONY: ALIVE IV e o fim do ano de 2003 a banda completaria mais de cinco anos sem lançamento de um disco inédito.  Novamente este projeto soa mais como uma forma de arrecadação das tais verdinhas, do que propriamente uma grande aventura musical.  Contudo, não podemos considerar o álbum como algo descartável ou dispensável como as inúmeras outras coletâneas lançadas na época.  A primeira parte do CD não traz nada de novo, com músicas consagradas em novas versões ao vivo.  No segundo ato, com um formato mais intimista (mesmo em frente a trinta e cinco mil pessoas) e acompanhamento da forma reduzida da MSO, temos boas versões de Shandi e Beth, que finalmente é tocada ao vivo sem acompanhamento playback e ganha em qualidade.  Forever parece ter sido incluída para corrigir o erro da sua não inclusão no álbum MTV UNPLUGGED KISS, mas não acrescenta muito em relação a impecável versão de estúdio e perde sobretudo pela performance contida do baterista Peter Criss, além de ter sido executada um tom abaixo da gravação original. As outras duas músicas também não acrescentam muito às versões do álbum acústico da MTV, mas assim como aquelas, novamente são boas versões. Para o ato três, novamente verificamos a inclusão de muitas músicas de DESTROYER, apenas duas músicas deste álbum não participam do projeto.  Em verdade este fato pode ser justificado pelos arranjos da produção mais refinada do álbum (vide nosso quinto post DESTROYER) que já trazia elementos orquestrais nas versões originais das faixas. Além disso, como visto anteriormente em nossa discografia, DESTROYER contém uma seleção de músicas que resistiram ao teste do tempo e que se encaixam perfeitamente a este projeto.  Os arranjos da orquestra completa no ato principal buscaram um conceito “bombástico”, e passam longe de ser meros coadjuvantes da banda. Desta forma, consideramos que algumas músicas ficaram boas, outras nem tanto. Em relação a I Was Made For Loving You e God Of Thunder há uma divergência entre nossas avaliações. Para Alexandre B-Side as duas são pontos positivos do show, onde ele ressalta os arranjos criados para I Was Made For Loving You, em que a orquestra soube preencher os espaços originalmente usados por teclados e criar um bom “casamento” com a banda e também o arranjo soturno que levou God of Thunder a ter ainda mais a característica buscada pelo produtor Bob Ezrin na versão original.  Para mim, God Of Thunder tem andamento demasiadamente lento e I Was Made For Loving You tem um arranjo equivocado, modificando em muito a versão original.  Concordamos em haver pelo menos um outro ponto negativo, o choque entre as guitarras e os instrumentos sinfônicos em Rock And Roll All Nite, descaracterizando o arranjo mais simples da clássica versão original.  Mas talvez o grande destaque positivo do projeto seja a versão de Great Expectations, que nunca havia sido tocada ao vivo e funciona perfeitamente com os arranjos orquestrais (muito similares aos originais do álbum) e o coral infantil.

Como o show foi lançado em DVD, devemos recomendar aos leitores que se tiverem que escolher um dos formatos para compra, que escolham este, apesar da edição do show ser um pouco frenética, tal a rapidez que as câmeras são trocadas. Além de mais completo, o show ganha enormemente com o seu aspecto visual, principalmente pela inusitada formação mascarada dos membros da orquestra e seu maestro.  Um show do Kiss sempre teve como ponto forte este aspecto, e a produção do DVD novamente não decepciona trazendo o espetáculo pirotécnico em destaque, além de um interessante documentário com a pré-produção do show e ensaios. Algumas músicas, como pelo menos Great Expectations e Shout it Out Loud, certamente tiveram mais de uma execução, já que é possível notar Gene Simmons utilizar dois baixos diferentes durante suas exibições. Nos extras a participação da banda numa entrevista prévia ao show, num programa televisivo australiano.  Na semana que vem estaremos abordando a jornada da banda até seu próximo álbum inédito, até lá!

Flávio Remote e Alexandre Bside.

O “Aerosmith” do Aerosmith!

•Saturday, January 16th, 2010 • 13 Comments

Quando decidi fazer este post sobre um álbum do Aerosmith para a minha estreia no MHM, fui ouvir novamente os discos clássicos da banda: Toys in the Attic (1975), Rocks (1976) e Pump (1989), considerados pela crítica os três melhores álbuns deles.

Terminada a audição destes, como não poderia deixar de ser, ouvi o resto da discografia também.

Pois o álbum que vou comentar aqui não é nenhum destes três (que são excelentes, inegavelmente) e sim, talvez, o trabalho mais simples, cru e direto do quinteto de Boston: o primeiro (Aerosmith, 1973).

O motivo de tal escolha é porque temos aqui um pouco de tudo aquilo que caracterizou a banda durante todos esses anos, como os falsetes de Tyler, a influência do blues (a famosa gaita), entre outros…

Além disso, se há um álbum que toda e qualquer banda faz sem nenhuma pressão ou influência (má) é o primeiro, afinal de contas os caras estão ali fazendo o que gostam, recém saídos da garagem só a fim de mostrar o seu som, por isso, costumo valorizar muito os álbuns de estreia.

Então, vamos às faixas:

1. Make It: Costumo dizer que a 1ª faixa do primeiro álbum do Kiss (“Strutter”) e AC/DC (“It’s a Long Way to the Top (If You Wanna Rock ‘n’ Roll”)) já mostram o que seriam essas bandas (aliás estas três bandas possuem outras semelhanças, mas isto é assunto pra futuros posts). Isso pra ficar só no Hard-Rock, se formos pro Heavy Metal podemos citar ainda Iron Maiden (“Prowler”), Black Sabbath (“Black Sabbath”), Led Zeppelin (“Good Times Bad Times”) e por aí vai…

Enfim, imagina você colocar o primeiro disco de uma banda recém formada e já ouvir de cara esses “clássicos”? Não tem como não abrir um sorriso no rosto.

Com o Aerosmith, talvez em menor escala, é verdade, ocorre satisfação semelhante. “Make It” é uma canção muito agradável, simples, mas “com presença”, riff bem feito, refrão que “fica na cabeça”, enfim uma ótima música de estreia – e que é a cara da banda naquele momento.

2. Somebody: Antes de formarem o Aerosmith, em 1970, o guitarrista Joe Perry tinha uma banda que tocava basicamente Blues, enquanto o vocalista (na época, baterista) Steven Tyler e sua banda faziam covers de The Beatles, The Rolling Stones, The Yardbirds, etc. Este primeiro álbum podemos dizer que é uma mistura desses estilos e essa faixa talvez resuma bem tudo isso.

3. Dream On: Ao contrário de outros hinos do rock que possuem suas versões eternizadas ao vivo, como “Fear of The Dark” (Iron Maiden) e “Rock and Roll All Nite” (Kiss), o hino maior do Aerosmith têm a sua melhor versão justamente nesta primeira gravação de 1973.

“Dream On” é o tipo de canção pra se ouvir “os detalhes”, o que se torna um tanto difícil numa apreciação ao vivo. A música é praticamente solada do começo ao fim, além disso, a voz de Steven Tyler no auge de seus 25 anos soava muito melhor do que agora. Ela estava no “ponto certo” pra canção.

Há quem diga: “Poxa, mais uma balada ser a música de referência de uma banda de Hard-Rock?” Pra começar, contesto que “Dream On” seja uma balada totalmente. Ela é um rock “pensado”, tranqüilo, mas sua letra não fala de amor diretamente. É uma lição de vida, de como devemos aproveitar cada momento e persistirmos nos nossos sonhos, pois nunca sabemos quando iremos desta vida: “… cante comigo, cante pelos anos, cante pelo riso, cante pelas lágrimas, pois talvez amanhã o bom Senhor poderá lhe levar…”

Pra terminar só uma pequena historinha sobre a música: Composta quando Tyler tinha apenas dezessete anos, quando formaram a banda ele tocava todas as manhãs no piano do apartamento onde vivia com o Aerosmith o começo da canção, e dizia que “seria um grande sucesso um dia”; os outros integrantes não agüentavam mais ouvir somente aqueles primeiros acordes dela.

Parece que ele tinha razão, pois com certeza é uma das obras-prima do rock.

4. One Way Street: Aqui o Blues “come solto”, num ritmo cadenciado, mesmo em seus exatos sete minutos a música “não se arrasta”, passa rápido, sem contar o belo solo de Joe Perry, como em todo o disco, simples, mas eficiente.

5. Mama Kin: O outro clássico do álbum, já começa com um riff que ficará em sua cabeça. Aliás, Joe Perry criou vários riffs marcantes ao longo da carreira e este com certeza, foi o primeiro. Talvez por isso, Slash (ex-Guns N’ Roses, agora no Velvet Revolver) o tenha como influência. Uma música tipicamente “Aerosmith”, com a mistura perfeita de blues e Rock ‘n’ Roll!

6. Write Me A Letter: Faixa com uma levada muito gostosa, conta com um solo curto de gaita, que, aliás, já aparecera no disco várias vezes até aqui (Tyler é o encarregado de tocá-la na banda). Instrumento que viria a acompanhar o grupo por toda a carreira. Faixa muito boa também.

7. Movin’ Out: Nesta música Tyler muda o timbre de voz, chegando muitos a afirmarem que não se trata dele (principalmente quem só conhece o Aerosmith “baladeiro” dos últimos 20 anos). Com direito a um solo um tanto melódico e parte instrumental perfeita, chegando “lá pelas tantas” a lembrar um pouco o Led Zeppelin em sua fase mais folk, esta também é um dos destaques do disco. A letra refere-se à mudança que estava pra acontecer com a banda. A fase “sem grana” estava por acabar.

8. Walkin’ The Dog: Encerrando o álbum (que não tem pontos fracos), temos esta regravação dos Rolling Stones (do primeiro álbum da trupe de Jagger). A música, na verdade, também não é dos Stones, foi composta por Rufus Thomas. Mas contribuiu ainda mais para a (má) “fama” do Aerosmith no início da carreira. Acusaram a banda de imitarem os Stones (fama esta obtida mais pela semelhança física entre Steven Tyler e Mick Jagger do que pela música em si).

Este álbum, na época de seu lançamento, não obteve grande sucesso. Curiosamente, após os álbuns Toys in the Attic e Rocks, que consolidaram o Aerosmith como banda mundial, é que se “notou” o primeiro álbum fazendo relativo sucesso então (isso já em 1976), graças principalmente a “Dream On” e “Mama Kin”. “Dream On”, inclusive, foi relançada como single.

Enfim, pode não ser o melhor (embora muitos o considerem), mas o tenho como indispensável na discografia do Aerosmith, pois é o álbum que mostra a banda em sua essência, neste caso, o título do disco reflete isso, simplesmente o Aerosmith do Aerosmith.

Marco Dias.